A BP anunciou acordos com o novo Governo da Venezuela para exploração e produção de petróleo – mais uma gigante do setor a oficializar sua volta ao país depois que os EUA derrubaram Nicolás Maduro, em janeiro.
Em meio a uma visita da CEO Meg O’Neill a Caracas, a petroleira britânica anunciou que obteve uma licença para um bloco offshore de gás, em um negócio que chamou atenção também por ter vindo poucas semanas após a companhia colocar à venda suas operações no Mar do Norte – o berço da indústria petrolífera do Reino Unido.
Antes, em junho, a Shell havia sido a primeira a retornar aos negócios em território venezuelano, onde apenas a Chevron – entre as majors internacionais – seguiu operando após décadas de regimes bolivarianos comandados primeiramente por Hugo Chávez e depois por Maduro.
Agora, junto com a BP e sob o comando de Delcy Rodrigues, a ex-vice de Maduro que ganhou o apoio de Trump, o país ainda está recebendo a XRG – uma controlada da estatal de Abu Dhabi ADNOC que tem como diretor internacional o ex-CEO da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa – e a UCC Oil, uma empresa privada do Catar.
Juntas, as três vão desenvolver a segunda fase do campo de Loran, com reservas recuperáveis estimadas de mais de 600 milhões de barris.
A BP também assinou um memorando para avaliar a exploração do bloco offshore Carúpano Leste. A CEO descreveu os acordos como “um grande passo adiante.”
Em casa, a oposição ao Governo britânico não gostou nada da notícia.
No Partido Conservador, o membro do parlamento Andrew Bowie, que é o ministro “sombra” de Energia (o representante da oposição que fiscaliza o ministro de fato) disse ao The Telegraph que o movimento da BP foi “decepcionante, embora não surpreendente.”
Criticando a recente renovação pelo Governo trabalhista de um imposto adicional sobre lucros extraordinários das empresas de petróleo, Bowie disse que “não surpreende que a BP esteja olhando para outros lugares do mundo para expandir seus negócios” porque a administração atual “é completamente contra seu core business.”
O porta-voz para assuntos de energia do partido de Nigel Farage, o Reform UK, Richard Tice, disse que é “uma tragédia” que a empresa “precise fechar acordos com ditaduras autoritárias ao invés de no Mar do Norte.”
A BP divulgou recentemente que a prorrogação do imposto adicional, criado após o aumento de preços de energia com a guerra na Ucrânia em 2022, representou um custo adicional de US$ 539 milhões para suas operações no Mar do Norte no ano passado e de US$ 97 milhões até o momento neste ano.
Ao revelar a intenção de vender os ativos no Mar do Norte, a BP disse que decidiu focar sua carteira de ativos e investimentos nas “oportunidades que mais geram valor.”
“Isso sugere que a BP agora vê a Venezuela como uma oportunidade de investimento melhor que o Reino Unido,” escreveu o The Telegraph.
O avanço na Venezuela, onde a BP atuou durante um longo período antes da nacionalização do setor de petróleo por Chávez, também ocorre em meio a uma revisão da estratégia da companhia. O grupo aprovou recentemente um plano para voltar a focar os ativos de petróleo e gás depois de (mais uma) tentativa frustrada de diminuir sua pegada de carbono e ampliar investimentos a negócios ligados à transição energética.











