25 de fev, 2026
O jornalista William Waack – que cobriu alguns dos principais conflitos armados dos últimos 50 anos e chegou a ser prisioneiro das tropas de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo – falou sobre o impacto psicológico desse tipo de cobertura.
“Emoções de compaixão, solidariedade e indignação são suspensas, porque você está cumprindo uma missão profissional,” disse a Marcos Lisboa no primeiro episódio da nova temporada do podcast Lado B. “É um escudo que protege, mas que violenta por dentro.”
Waack disse que se arrepende de como conduziu seus relacionamentos depois de voltar dos conflitos. “O jornalista que cobre guerra se escora no trabalho profissional para superar o impacto emocional. Mas ninguém volta igual,” afirmou. “A dificuldade de readaptação é muito grande.”
Formado em ciências políticas, sociologia e comunicação na Johannes Gutenberg-Universität Mainz, na Alemanha, e mestre em relações internacionais, Waack também falou sobre a situação atual do Oriente Médio.
Para ele, o Irã vive um “cansaço ideológico”, mas cada ameaça externa acaba por reforçar a coesão do regime. “O que ainda cimenta a identidade nacional é a resistência ao Ocidente,” disse. “Cada vez que um imbecil geopolítico como Trump ameaça o Irã, isso consolida o regime.”
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