30 de set, 2026
O Brasil já conta com capital disponível e uma agenda crescente de projetos para avançar na transição climática, mas ainda precisa conectar melhor investidores às oportunidades, especialmente em setores nos quais os modelos de negócio e os riscos ainda não são plenamente compreendidos pelo mercado.
Essa foi uma das conclusões do debate sobre financiamento climático realizado pelo Brazil Journal durante a Climate Week, em Nova York.
Para Lina Lisboa, sócia da Vox Capital, financiar a transição climática significa uma transformação muito mais ampla do que substituir as fontes de energia.
“Quando a gente fala de financiar a transição climática, não é ligar uma tomada. A gente está falando em reconstruir todos os sistemas produtivos: o que produz, como consome, como distribui as coisas,” disse Lina.
O desafio é particularmente relevante para soluções baseadas na natureza, cujos riscos e retornos ainda são menos conhecidos pelos investidores e o custo de capital continua sendo um obstáculo no País. Nesse caso, estruturas de blended finance podem ajudar a reduzir riscos e criar condições para a formação do mercado.
Sergio Suchodolski, CEO da Fama Re.Capital, vê na transição também uma oportunidade para o Brasil atrair investimentos produtivos. A combinação entre recursos naturais, energia relativamente barata e uma matriz energética mais limpa pode se tornar uma vantagem competitiva para o país.
Além disso, o contexto global favorece o Brasil. “Há um rearranjo das cadeias de valor influenciadas pela questão geopolítica. O Brasil reúne ativos importantes para investidores que procuram mercados emergentes, especialmente em segurança alimentar e recursos naturais,” disse Suchodolski.