29 de set, 2026
A descarbonização da economia brasileira pode ser não apenas uma resposta às mudanças climáticas, mas também uma estratégia para reduzir custos e aumentar a competitividade das empresas.
“Usar formas de energia mais limpa, renovável, já é uma estratégia de negócio,” Grazielle Parenti, vice-presidente de Sustentabilidade da Vale, disse em um debate promovido pelo Brazil Journal durante a Climate Week, em Nova York.
A executiva destacou ainda que o Brasil tem alternativas próprias para a transição, como a biomassa, e que grandes empresas precisam trabalhar em conjunto com fornecedores e outras companhias para desenvolver tecnologias em escala.
Já Paulo Skaf Filho, CEO da ComBio, empresa de energia térmica renovável para a indústria, lembrou que o custo de capital influencia muito nos projetos de transição energética. “Não é um problema de tecnologia, é um problema de capital e de demanda.”
Como os projetos de transição são intensivos em capital e exigem investimentos altos e compromissos de longo prazo, disse Skaf Filho, a incerteza sobre o custo de capital e a falta de previsibilidade regulatória podem dificultar a tomada de decisão das empresas.
Roberto Waack, presidente do Comitê de Sustentabilidade da MBRF, chamou atenção para outro desafio: adaptar as metodologias internacionais de mensuração de carbono à realidade brasileira.
“Nós estamos num ambiente tropical e a maior parte das metodologias de mensuração de carbono não capturam as características da agricultura e dos ecossistemas brasileiros.”
Waack também defendeu o reconhecimento econômico do capital natural brasileiro e afirmou que o mercado de carbono será um dos temas centrais para a transição no país.
Para os três executivos, a agenda de descarbonização avançará apenas se o Brasil conseguir transformar soluções que miram uma economia de baixo carbono em negócios.