A Pernambucanas acaba de trocar todo o seu comando para tentar fazer algo que não conseguiu nos últimos anos: transformar seu turnaround em lucro.

Marcelo Pimentel, o ex-CEO do GPA e da Lojas Marisa, vai substituir Ricardo Doebeli na presidência da varejista centenária a partir de amanhã.

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Ernane Abrahão, que era diretor financeiro no Grupo Avenida, assumirá como CFO no lugar de Maurício Hasson. 

A mudança também acontece no conselho: Carlos Henrique Bandeira de Mello, o “Caíque”, troca de cadeira com Martin Mitteldorf, presidente do conselho há 13 anos, e se torna chairman.

Caíque, um ex-CEO do Banco Carrefour e ex-conselheiro do Grupo Mateus, ingressou no conselho em março, convidado pelo próprio Martin, que já planejava sua sucessão.

A missão do trio será fazer a empresa voltar ao azul até 2028, quando a Pernambucanas completa 120 anos.    

A troca simultânea do presidente do conselho, CEO e CFO é o movimento mais relevante na gestão da Pernambucanas desde o acordo de acionistas de 2024 que reorganizou o poder entre os seis blocos familiares e profissionalizou a governança.

Mas o novo chairman disse ao Brazil Journal que a mudança não representa uma ruptura com o turnaround iniciado por Doebeli – apenas que os acionistas não estavam satisfeitos com a velocidade.

“O que a gente entende é que a busca da lucratividade tem que ser mais acelerada do que o ritmo que estávamos conseguindo dar,” disse Caíque.

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Doebeli havia assumido a Pernambucanas em agosto de 2024 depois de um período marcado por uma expansão agressiva e desorganizada – que adicionou lojas à rede, mas sem gerar rentabilidade.

Sua gestão colocou em prática mais de 400 iniciativas que iam do reabastecimento por SKU à revisão do pricing, passando pela gestão individual das lojas, o reposicionamento do ecommerce e a saída da antiga sede da Avenida Paulista.

“Mas os números não mentem: tem muita coisa que está sendo feita que ainda não deu frutos,” disse o chairman

A urgência já havia ficado explícita em março, quando a PwC incluiu nas demonstrações financeiras de 2025 um alerta sobre uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional” da companhia.

Os auditores chamaram atenção para os prejuízos recorrentes e para o capital circulante líquido negativo de R$ 698 milhões na controladora.

Caíque disse que o parecer não foi o motivo da troca, mas reconheceu que o alerta precisa ser levado a sério.

“Aquele ponto que a PwC colocou está lá e tem que receber a devida atenção,” disse. “A companhia não está numa situação em que podemos dizer que está tudo bem, tudo lindo e maravilhoso.”

Agora, o conselho quer atacar principalmente a eficiência operacional da Pernambucanas.

Segundo Caíque, isso passa por controlar melhor os estoques, reduzir custos, recuperar a margem bruta e adaptar o sortimento e o pricing às diferentes regiões onde a empresa atua.

“Há lugares em que os concorrentes esperam o movimento da Pernambucanas para fazer o deles. Se subimos o preço, eles sobem; se baixamos, eles baixam. Podemos usar isso para melhorar a nossa margem,” disse o novo chairman.

O digital também terá um maior foco. Depois de descontinuar o ecommerce por causa dos prejuízos, a empresa voltou a investir no canal, mas Caíque reconhece que ele ainda está “engatinhando”.

A mudança na gestão não prevê uma nova expansão física. Depois do crescimento acelerado dos últimos anos, quando chegou a 470 lojas, a prioridade será extrair mais vendas e rentabilidade do parque atual de lojas, diz Caíque. 

A Pefisa também terá uma mudança de foco, se comparado ao ciclo anterior.

No período de expansão da rede, a financeira tentou crescer fora da Pernambucanas e passou a conceder crédito em novos mercados e por meio de parceiros. 

“A Pefisa não quer mais fazer o papel de banco,” disse Caíque.

Por isso, a financeira manterá apenas duas parcerias: Leroy Merlin e o Palmeiras. Segundo o executivo, as operações com Autopass e Carmen Steffens estão sendo descontinuadas.

Agora, o principal objetivo é aumentar o uso do cartão dentro das próprias lojas. Hoje, o cartão responde por aproximadamente 20% das vendas da rede e Caíque enxerga que será possível chegar a até 40% em dois anos. 

Apesar dos prejuízos acumulados, o chairman disse que não estão previstos novos aportes dos acionistas. A intenção é que a recuperação seja financiada pelo caixa gerado pela própria operação.

Mas os acionistas também trabalham numa operação envolvendo a venda do Jatiúca Hotel & Resort, em Maceió, fundado pela família Lundgren. Caíque estima que isso pode significar uma injeção de até R$ 150 milhões na companhia nos próximos trimestres.