As terras raras do Brasil entraram de vez no radar dos investidores estrangeiros.
Em mais um M&A no setor após a aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth, anunciada dias atrás, a australiana Oceana fechou acordo para ficar com 100% do projeto Serra Negra, em Minas Gerais – que inclui potencial do também cobiçado nióbio.
A transação envolve um pagamento de US$ 2,95 milhões em dinheiro e cerca de US$ 5 milhões em ações da Oceana, listada na Bolsa da Austrália.
A compradora ainda pagará mais até US$ 2,25 milhões posteriormente, de acordo com o avanço na confirmação de reservas do projeto.
Os australianos vão financiar a transação com uma emissão de ações que já está ancorada por um grupo de grandes investidores, incluindo institucionais – em mais uma evidência do apetite do mercado pelas terras raras brasileiras.
A aquisição foi anunciada um dia após a compra de Serra Verde, em Goiás, ter sido questionada no Supremo Tribunal Federal, em ação movida pelo partido Rede Sustentabilidade.
A legenda da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pediu uma liminar para travar o negócio com os americanos até que o Governo e a Agência Nacional de Mineração apresentem explicações e análises sobre o “interesse nacional” na transação.
A compra de Serra Verde, primeiro projeto de terras raras operacional no País, está gerando discussões apaixonadas e virando alvo da polarização política, mas não haveria nenhum fundamento jurídico para o STF barrar esse M&A e outros semelhantes, disseram advogados especializados ao Brazil Journal.
“Inclusive os controladores do ativo já eram americanos,” disse uma dessas fontes, em referência aos private equity Denham Capital e Energy & Minerals Group, que investiram há anos em Serra Verde.
No caso de Serra Negra, alvo do mais novo M&A, as reservas de terras raras e nióbio ainda não estão sequer confirmadas, uma vez que a exploração inicial do ativo não visava esses minerais.
A Oceana disse que levantamentos iniciais e de áreas no entorno sinalizam a presença desses recursos, que ainda demandarão mais atividades de exploração para serem estimados.
Os pagamentos adicionais pela transação estarão associados ao andamento desses trabalhos. Também haverá um pagamento de royalties de 2,5% sobre a receita líquida.
Os australianos destacam que as minas estão em uma área “tier-one”, próxima de reservas de nióbio da CBMM em Araxá — a maior reserva de nióbio do mundo, controlada pela família Moreira Salles — e do projeto de terras raras e nióbio St George Mining, representando “uma oportunidade única de participar da indústria de metais críticos do Brasil.”
A Oceana tem valor de mercado de $ 94 milhões de dólares australianos. A ação acumula valorização de impressionantes 1.7883% em 12 meses e 117% em 2025. Além de Serra Negra, a companhia tem dois projetos de lítio, no Ceará e na Austrália.
O Veirano Advogados atuou como assessor jurídico brasileiro da Oceana. Hamilton Locke foi o assessor jurídico australiano.











