No final da manhã, os quase 24 mil funcionários da Amil receberam um email do dono da empresa, José Seripieri Filho.
No comunicado, o “Júnior da Amil” informava haver encerrado as negociações para vender a companhia e que seguirá à frente do negócio – hoje o terceiro maior operador de saúde suplementar do País, com mais de 3,6 milhões de vidas médicas e um total de 46 hospitais.
Terminava ali um processo de cinco meses, ao longo do qual Júnior e seus sócios – Alberto “Beto” Bulus e a CFO Grace Tourinho – negociaram a empresa com um consórcio formado pela Advent e a Bain. As conversas foram originadas por Grace e conduzidas junto a Juan Pablo Zucchini, o managing partner da Advent em São Paulo. Júnior praticamente não se envolveu no processo.
O cheque que estava na mesa: R$ 20 bilhões de equity value. (A Amil praticamente não tem dívida líquida.)
As conversas inicialmente eram sobre a venda de uma fatia minoritária na companhia – um aporte primário que ajudaria a Amil a acelerar seu plano de negócios – mas depois acabaram evoluindo para uma venda integral.

Mas apesar do tamanho do cheque, pessoas a par do assunto disseram ao Brazil Journal que Júnior sempre teve dúvidas sobre o negócio, que acabou não saindo por tecnicalidades.
“Quando você não quer vender, qualquer motivo é motivo: ‘olha, hoje está chovendo em São Paulo…’,” disse uma pessoa próxima ao empresário. “Ser o Júnior da Amil virou praticamente um sobrenome para ele, assim como ele já foi o ‘Júnior da Qualicorp’ – sem falar no fato de que essa empresa pode valer o dobro se um dia for para a Bolsa.”
Apesar do fracasso das negociações, a Amil disse que segue aberta à entrada de um sócio minoritário.
Mas por que uma empresa sem dívida – e que deve fazer um EBITDA entre R$ 2,5 bi e R$ 3 bi este ano – estaria aberta a um aporte?
Segundo essas fontes, Bulus e Tourinho são particularmente contra a Amil se alavancar, e a entrada de um sócio minoritário ajudaria a financiar aquisições num momento em que vários players regionais estão enfraquecidos.
O próximo passo da companhia pode ser acessar o mercado de capitais se o Brasil de 2027 permitir a volta dos IPOs.
Aplicando um múltiplo de 10,5x EV/EBITDA, uma Amil listada poderia valer R$ 40 bilhões, segundo contas do BTG às quais o Brazil Journal teve acesso. (A Rede D’Or, para efeito de comparação, negocia hoje a 8x, e tem um múltiplo médio histórico de 11,7x desde o IPO, segundo a Bloomberg.)
Desde que assumiu a Amil em 2024, o trio formado por Júnior, Beto e Grace simplificou o organograma da empresa, cortando diversas camadas de management e produzindo economias de R$ 470 milhões/ano só na folha. A nova gestão também adotou uma política mais rigorosa de precificação e uma postura mais agressiva nas vendas – a especialidade de Júnior.
Este turnaround reverteu um consumo de caixa de R$ 1,4 bilhão em 2023, e a companhia gerou R$ 1,4 bilhão de caixa em 2024, R$ 2,3 bi em 2025 e estimados R$ 2,6 bi este ano.
E até agora, “a Amil cortou só o mato alto. Eles ainda não entraram a fundo na melhoria de práticas e processos, na gestão de sistemas, na implementação de inteligência artificial. Ainda há uma criação de valor enorme pela frente,” disse uma fonte próxima a Júnior.
No evento de um IPO no ano que vem, a Amil poderá mostrar aos investidores um crescimento médio composto de receita de 18,4% ao ano desde que Júnior assumiu a empresa – e um EBITDA que foi de R$ 2,6 bilhões negativos em 2023 para (estimados) R$ 2,7 bilhões este ano.
Pelo menos por ora, Júnior continuará sendo “o Júnior da Amil.”











