A Simpar vendeu dois terminais portuários por um enterprise value de R$ 1,8 bilhão – numa transação elogiada pelo mercado por jogar luz sobre o valor dos ativos de infraestrutura da holding de Fernando Simões e permitir à empresa continuar sua desalavancagem.

A ação da Simpar sobe mais de 5% com a notícia no final da manhã, com a companhia valendo R$ 4,4 bilhões na Bolsa. Nos últimos doze meses, o papel sobe 85%. 

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A venda foi feita para a ICTSI Américas, uma subsidiária da gigante filipina ICTSI, uma das maiores operadoras de terminais portuários do mundo.

Do montante total, R$ 1 bilhão é assunção de dívidas, enquanto os R$ 800 milhões restantes são em equity value – dos quais R$ 650 milhões serão pagos no fechamento da transação e R$ 100 milhões a título de earnout num prazo de até 18 meses.

Os terminais vendidos são o ATU12 e ATU18, que compõem o CS Porto Aratu. Os dois ficam na Bahia e foram adquiridos pela Simpar em 2020, num leilão de concessão. 

De lá para cá, a companhia investiu R$ 900 milhões na modernização dos ativos, aumentando a capacidade em cerca de 5x, para 9,5 milhões de toneladas por ano. Os terminais atendem principalmente o corredor agrícola de Matopiba, uma das regiões produtoras de grãos de maior crescimento do Brasil.

A Simpar disse que investiu apenas R$ 128 milhões em capital próprio no projeto – e que a venda representa um MOIC de 5,8x, num prazo médio de 3,6 anos. 

No BTG, o analista Lucas Marquioni disse que vê o desinvestimento como “um movimento assertivo que ajuda a cristalizar o valor dos ativos maduros de infraestrutura da Simpar e acelerar sua narrativa de desalavancagem.”

Nas contas do banco, a dívida líquida da holding vai cair de R$ 2,8 bilhões para R$ 2 bilhões após a transação, enquanto a alavancagem de todo o grupo (que considera as dívidas das empresas do portfólio da Simpar) vai cair de 3x EBITDA no primeiro trimestre deste ano, quando a dívida estava em R$ 41 bilhões, para 2,7x EBITDA.

A venda do CS Porto Aratu é o terceiro movimento de reciclagem de portfólio que a Simpar fez nos últimos anos. Em agosto do ano passado, ela vendeu a Ciclus Rio para a Aegea por um equity value de R$ 1,1 bilhão. Em abril deste ano, vendeu uma participação de 45% na Ciclus Amazônia para a Sustentare por R$ 124 milhões. 

“O programa de reciclagem da Simpar tem gerado retornos impressionantes para o grupo, com a companhia entregando um MOIC médio de 2,9x e uma TIR de 36% nos três desinvestimentos de infraestrutura que fez,” escreveu o BTG. 

Lucas Barbosa, do Santander, também elogiou o movimento, dizendo que vê o anúncio como mais um passo positivo na estratégia de otimização de capital da Simpar, “já que reforça a capacidade da companhia de destravar valor de ativos maduros de infraestrutura enquanto ajuda na desalavancagem e otimização do balanço.”

O banco tem recomendação de compra para a ação com preço-alvo de R$ 22, um upside potencial de mais de 100% em relação ao preço de tela.

Para a ICTSI, que opera mais de 30 terminais em 20 países, a aquisição reforça sua presença na América do Sul com um ativo estratégico numa das principais regiões produtoras de grãos do mundo. 

A ICTSI já é dona de um terminal portuário no Rio de Janeiro e vinha sendo apontada como uma potencial interessada em novas áreas portuárias no Brasil, incluindo o Porto de Santos.