A Rede D’Or acaba de levantar US$ 500 milhões com a emissão de um bond de dez anos – conseguindo atrair demanda de investidores globais num momento difícil para as empresas brasileiras no mercado internacional de dívida.

O bond saiu ao par, a um yield de 6,55%. 

O roadshow começou na segunda-feira, com a companhia dos Moll fazendo diversas reuniões com investidores americanos e europeus. Hoje de manhã, o initial price talk era de quase 7%, uma fonte envolvida na operação disse ao Brazil Journal.

Naquele preço, a demanda foi de cerca de US$ 1,5 bilhão, superando em 3x a oferta, o que fez os coordenadores reduzirem o yield para os 6,55%. 

Esse é o quarto bond da Rede D’Or. Os outros três têm vencimentos em 2028, 2030 e 2035. O mais recente foi emitido em setembro passado a um yield de 6,45%, ligeiramente melhor que a emissão de hoje – mas num contexto de mercado mais construtivo.

“O mercado internacional de dívida não está fácil para empresas brasileiras. Com a Raízen e Aegea e tudo que aconteceu com a Ambipar e Braskem, o investidor americano e europeu está com um gosto amargo do Brasil,” disse um banqueiro. “Muitos desses investidores estão buscando diversificar no Brasil, mas com esses acontecimentos estão muito mais cautelosos.”

A Rede D’Or vai usar a emissão para refinanciar dívidas que vencem este ano e no ano que vem, além de usar parte dos recursos para financiar seu capex e aumentar sua liquidez num cenário mais incerto (com as eleições presidenciais no Brasil e a incerteza geopolítica). 

A companhia está com uma alavancagem controlada, ao redor de 1,5x EBITDA.

A Rede D’Or vale R$ 88 bilhões na Bolsa, com sua ação subindo 30% nos últimos doze meses.

Os global bookrunners foram BTG Pactual, Bradesco BBI, Itaú BBA e JP Morgan. Os joint books foram BNP, Santander e XP.