Após meses de indefinição e apreensão no mercado, o Governo agendou para dezembro um esperado (e inédito) leilão para contratar sistemas de armazenamento de energia com baterias.
Ou melhor: leilões.
O Ministério de Minas e Energia decidiu fazer uma licitação somente para projetos que atendam exigências de conteúdo local nos equipamentos, em 2 de dezembro; e outra, com competição aberta, em 4 de dezembro.

Foi uma “solução salomônica,” uma vez que discussões sobre o nível de exigência de nacionalização dos projetos eram um dos pontos que vinham atrasando a definição da data do leilão, uma fonte próxima às conversas disse ao Brazil Journal.
Outra fonte do setor viu as diretrizes para os certames, publicadas hoje no Diário Oficial, como “cheias de ‘cercadinhos’ para proteger uma indústria nacional que nem existe ainda.”
A indústria de baterias elétricas é fortemente concentrada na China. Grupos como BYD, CATL e Huawei estão entre os principais fornecedores que disputam contratos com as empresas que querem participar do leilão.
Do lado brasileiro, a WEG e o Grupo Moura são apontados como os concorrentes da indústria nacional.
A WEG, inclusive, está investindo em uma fábrica em Itajaí para produzir localmente os sistemas de armazenamento conhecidos como BESS, e aposta no leilão para encher a planta.
Os players nacionais, no entanto, devem montar seus equipamentos localmente em parceria com os chineses, uma vez que não detêm a tecnologia para produzir a célula química das baterias, disse uma das fontes.
“Então por que não liberar de vez? No final vai sair mais caro para os consumidores. Quanto mais fornecedores, mais concorrência, menor o capex, e assim menor o lance no leilão.”
Pelas diretrizes publicadas hoje, o segundo leilão, aberto a todos fornecedores, terá volumes de contratação definidos levando em conta “a capacidade produtiva nacional” e a demanda necessária para atender ao sistema elétrico.
Na licitação exclusiva para conteúdo local, serão permitidos projetos que cumpram os requisitos mínimos de nacionalização definidos em regulamento do BNDES para financiar o setor.
Os vencedores da concorrência deverão entregar seus sistemas de armazenamento com início da operação a partir de agosto de 2028, e assinarão contratos de suprimento por quinze anos, com receita fixa reajustada pelo IPCA.
Prometido pelo Governo desde o ano passado, o leilão de baterias tem atraído interesse de empresas como a AXIA Energia, ISA Energia, Auren, Engie – e até da Petrobras.
Entre os fornecedores, além dos chineses e dos players locais, a Tesla de Elon Musk também tem se movimentado para disputar uma fatia do mercado.
Os leilões devem contratar um total de 2 gigawatts em capacidade de baterias, movimentando investimentos de cerca de R$ 10 bilhões, segundo estimativa da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE).











