Um dos principais produtores culturais brasileiros, Luiz Calainho acredita que o País ainda não aprendeu a aproveitar todo o potencial da economia criativa. Nas dependências do Teatro Riachuelo, na Cinelândia, no Rio, ele recebe Nilton Bonder neste episódio de The Business of Life.
Ex-vice-presidente da Sony Music e fundador da holding L21 — com participações em rádios, festivais, casas de show, e outros negócios culturais — Calainho é um otimista. “O Brasil é a maior potência cultural do mundo — é que o Brasil ainda precisa se colocar nesse lugar,” diz.
Calainho nasceu em Zurique, em 1966. Seu pai era comandante da Swissair, onde trabalhou após o fim da Panair do Brasil. A família voltou ao País em 1969. Geminiano, cresceu em Ipanema e fez Comunicação na PUC-Rio.
O primeiro contato com o meio cultural ocorreu na escola, onde conheceu Marcio Menescal, filho de Roberto Menescal — músico, compositor e, na época, diretor artístico da PolyGram. “Arte e cultura é alguma coisa que faz parte da minha alma, do meu DNA,” diz.
Nos anos 80, esteve no marketing da Cervejaria Brahma. Antes de mudar de ramo, Marcel Telles, então presidente da empresa, tentou convencê-lo a ficar. Não deu certo. “Eu nunca trabalhei por dinheiro,” diz. “Dinheiro é ótimo, mas a minha verdade era trabalhar com arte.”
Na Sony, Calainho viveu uma década de transformação da indústria musical — da introdução do CD à chegada de ritmos até então regionais, como o axé, o reggae e o sertanejo, ao mainstream. “Se você descobrir uma boa contramão, a chance de explodir em um nível muito maior será infinitamente amplificada,” diz.
Após trabalhar com nomes como Daniela Mercury, Skank e Cidade Negra, decidiu empreender. Criou a L21 — L de Luiz, 21 pela soma de três setes. O primeiro negócio foi digital: o portal Vírgula, voltado à cultura pop. Depois vieram rádios, festivais, gravadora, casas de show, teatros e musicais.
O teatro musical virou uma das principais frentes por meio da Aventura, hoje líder no setor. O primeiro grande projeto foi A Noviça Rebelde, uma coincidência afetiva: The Sound of Music era o filme preferido de seu pai, que tinha o LP da trilha em casa.
Para Calainho, o diferencial da Aventura é produzir clássicos da Broadway com criação brasileira. Em seguida, abriu uma frente de musicais nacionais. Vieram Elis, a musical escrito por Nelson Motta e dirigido por Denis Carvalho; Chacrinha, com texto de Pedro Bial e direção de Andrucha Waddington; e outros espetáculos que ajudaram a formar uma linguagem própria para o gênero no País.
“O Brasil já é o terceiro maior produtor de teatro musical do mundo,” diz Calainho. “O musical, hoje, no Brasil, é uma indústria.”
A lógica se estendeu aos equipamentos culturais. O grupo opera espaços como o Teatro Riachuelo, o Teatro TotalEnergies, a Ecovilla Ri Happy, o BTG Pactual Hall, o Teatro YouTube e a Arena B3. Agora prepara, com o Nubank, um espaço de exposições imersivas no Conjunto Nacional. “A arte é soberana. O palco é soberano,” diz. “Mas não quer dizer que você não trate isso como um negócio bem estruturado para aquilo poder florescer.”
Segundo Calainho, o conjunto de negócios da L21 emprega entre 4 mil e 5 mil pessoas por ano, direta ou indiretamente. “Economia criativa já é 3% do PIB,” diz.
No fim da conversa, Bonder pergunta o que Calainho diria a quem está começando. A resposta volta à escolha que definiu sua própria vida: deixar de lado o caminho mais óbvio para seguir aquilo que chamava. “Siga a sua verdade,” diz. “É muito importante que você deixe a sua intuição prosperar dentro da tua alma — porque, através da intuição, você pesca você mesmo.”
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