19 de ago, 2026
O Novo Marco do Saneamento está completando seis anos com especialistas e empresas do setor comemorando os investimentos realizados e seus resultados ao mesmo tempo em que se preparam para uma segunda etapa de evolução do mercado.
No primeiro ciclo de leilões logo após a publicação da legislação, foram realizadas 20 licitações de serviços de água e esgoto em mais de 10 Estados, que vão movimentar um capex de R$ 100 bilhões, beneficiando mais de 45 milhões de pessoas, disse Luciana Capanema, a chefe de estruturação de projetos de saneamento no BNDES.
“A gente vê resultados concretos. Tem praias no Rio de Janeiro que eram impróprias e a população nem tinha expectativa (de melhora). A população ganhou de volta a cidade. Vou citar a Praia do Flamengo, que hoje em dia é frequentada.”
Uma das líderes do setor, a Aegea, saiu de 5 mil para 25 mil funcionários após a nova lei, levando diversos contratos nos leilões para expandir suas operações.
“Abriu um mercado de trilhão. Essa demanda acendeu um farol pro mundo inteiro, o mundo inteiro começou a olhar para o Brasil,’ disse Radamés Casseb, o CEO da Aegea.
Agora, segundo ele, o desafio do setor será continuar atraindo investidores para os leilões e para cumprir as metas de universalização em um contexto em que muitos dos próximos projetos envolverão regiões com populações carentes e maiores desafios geográficos, enquanto o ambiente macroeconômico também ficou mais complexo.
“Tem quase metade que ainda falta endereçar. A modelagem provavelmente vai ter que ser debatida mais nessa próxima fase. Num ambiente onde o juro está maior, custo de capital está maior…isso vai exigir dos novos contratos uma evolução. A gente vai ter que se preparar para essa nova fase”, disse Casseb.
Pela frente, a indústria de saneamento ainda terá que viabilizar investimentos de mais cerca de R$ 500 bilhões para cumprir as metas do Novo Marco, e o mercado financeiro será indispensável nessa jornada, disse Giuliano Ajeje, analista chefe de utilities do UBS-BB.
“Não dá pra ser só com caixa próprio, as empresas vão ter que acessar também o mercado de equities. Uma forma de financiar é via follow-ons, e acredito que em algum momento vamos ter os IPOs”.
Ele citou como exemplos do apetite do mercado as privatizações da Sabesp e da Copasa, que atraíram demanda muitas vezes superior à oferta.
“Estou há 20 anos no mercado financeiro e nunca vi uma transformação tão rápida. Acho que o mercado financeiro hoje está olhando muito de perto o setor de saneamento,” disse Ajeje.