6 de jul, 2026
Neste episódio do POWER, Adriano Pires conversa com Luiz Felipe Coutinho, CEO da Origem Energia, sobre o papel do gás natural na nova geopolítica da energia.
A Origem venceu projetos no leilão de reserva de capacidade e vai construir 371 MW de geração termelétrica na região metropolitana de Maceió. A ideia é usar o gás produzido pela companhia para dar flexibilidade ao sistema elétrico nacional. “A Origem vai se tornar a bateria do sistema elétrico brasileiro,” diz.
Em paralelo, a empresa desenvolve o primeiro projeto de armazenagem subterrânea de gás da América Latina, que poderá chegar a 1 bilhão de metros cúbicos de capacidade. “Armazenamento de gás natural é uma tecnologia madura, estratégica nos principais mercados do mundo,” afirma Coutinho.
Na visão do CEO da Origem, guerras, sanções, tarifas e rupturas nas cadeias globais mostraram que depender demais de energia importada virou um risco estratégico. É nesse contexto que ele defende o conceito de “soberania energética”. “Você precisa ter uma fonte segura e garantida, de maneira soberana, para o seu uso de longo prazo,” diz.
Para Coutinho, o alto custo do gás no Brasil é resultado de erros de planejamento e regulação. Historicamente, diz ele, “o gás não era ofertado da maneira correta como produto para a indústria.” Além disso, a abertura do mercado é recente e ainda não enfrentou temas sensíveis, como “a harmonização entre a legislação federal e a legislação estadual.”
A tese do executivo é que o Brasil pode não liderar a primeira camada da nova economia — a inteligência artificial, hoje dominada por Estados Unidos e China — mas pode ser protagonista na segunda derivada: energia, água e alimentos. “A gente fornece ou tem capacidade de fornecer aquilo que o mundo precisa,” diz Coutinho.
Também disponível no Spotify.