10 de ago, 2026
Neste episódio do POWER, Adriano Pires conversa com Lucas Ferraz, professor da FGV e ex-secretário nacional de Comércio Exterior, sobre a nova geopolítica do comércio — e como tarifas, energia, China, Estados Unidos e eleições passaram a fazer parte do mesmo tabuleiro.
Para Ferraz – que também foi secretário de negócios internacionais de São Paulo –, o mundo vive uma mudança que deriva do fato de que as regras comerciais que vigoram hoje “não foram criadas para acomodar disputas geopolíticas – foram criadas para gerar eficiência.”
Nesse novo ambiente, o choque provocado por Trump abre oportunidades. “O mundo buscando novos acordos comerciais, novos arranjos em função do esfacelamento das regras comerciais,” disse.
Mas o Brasil, afirma, pode perder essa janela. “Não vejo, na continuidade do governo atual, o País conseguindo aproveitar essa oportunidade,” afirmou o professor, que foi ainda diretor titular do Brasil junto ao New Development Bank (Banco dos BRICS).
Para Ferraz, o País está concentrado demais na China e deveria adotar uma postura mais pragmática. “Quase 30% da nossa pauta comercial é um único país.”
Sobre o tarifaço de Trump, o professor acredita que o Brasil teve tempo para negociar depois da primeira rodada de tarifas, mas não buscou uma aproximação com Washington. “O tarifaço poderia ter sido resolvido de uma outra forma? Entendo que sim. Mas o governo brasileiro queria resolver o tarifaço? Acho que essa é a primeira pergunta, porque não me pareceu,” diz.
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