29 de abr, 2026
Há oito meses na presidência da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Wadih Damous trabalha para fechar a agenda regulatória de 2026 a 2028, mesmo em meio às pressões de um ano eleitoral.
“A regulação precisa criar previsibilidade para quem investe, segurança para quem contrata e incentivos para premiar eficiência real e não mera transferência de custos,” Damous disse durante a Health Conference promovida pelo Brazil Journal, em São Paulo.
Segundo o presidente da ANS, a regulação da saúde suplementar ficou “estreita demais”, focada em resolver “disputas contratuais”. “O setor vai ser mais sustentável se conseguir sair da lógica da entrega de procedimentos e avançar no desfecho da jornada do paciente.”
Um dos temas que a agência já começou a atacar é a regulação dos cartões de desconto, mercado que atende cerca de 65 milhões de pessoas e, por determinação do STJ, é responsabilidade da ANS. Mas o processo é lento. Em abril, foi criado um grupo de trabalho para mapear o mercado a fim de iniciar o processo de regulação.
Damous reconhece que anos eleitorais não são os mais fáceis para endereçar grandes mudanças regulatórias. “Temos a sensibilidade de que estamos atravessando um período eleitoral, mas determinadas questões já aguardam um desfecho há muito tempo e não podem continuar esperando eternamente,” disse.
Os vídeos de todos os painéis da Health Conference estarão disponíveis no site do Brazil Journal.