Rafael Oliveira – um brasileiro de 51 anos que fez carreira na Goldman Sachs e na Kraft Heinz – será o novo CEO global da Heineken a partir de 1º de outubro, a empresa anunciou hoje. 

A escolha coloca fim a um longo processo sucessório na cervejaria holandesa, que se tornou público com a comunicação da saída do ex-CEO Dolf van den Brink em janeiro.

Desde novembro de 2024, Rafael era o CEO da JDE Peet’s, a holding holandesa de café e chá comprada pela Keurig Dr. Pepper no início deste ano – e havia sido escolhido para comandar o negócio de café do grupo, que será listado separadamente sob o nome de Future Global Coffee Co. no final deste ano.

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Nascido e criado no Rio, Rafael já mora em Amsterdã, é pai de três filhos, surfista e snowboarder nas horas vagas.

Estudou economia na PUC-Rio e fez MBA em Chicago. O MBA mudou a sua vida.

Dali foi direto para a Goldman Sachs, onde trabalhou no time de vendas por 10 anos entre Londres e Hong Kong. Depois, passou outra década na Kraft Heinz, onde começou como CEO da operação na Austrália, depois Europa e finalmente do mundo, ex-EUA.

Mas foi sua gestão na Peet’s – breve mas profícua – que mostrou o potencial enxergado pela Heineken. 

A Peet’s gastava centenas de milhões de dólares todo ano produzindo máquinas de café, a despeito do mercado americano já ser totalmente dominado pela Keurig. Rafael (literalmente) parou as máquinas.

“Ele acabou com as bizarrices do negócio e focou no essencial,” um executivo próximo a Rafael disse ao Brazil Journal.

Resultado: o valor de mercado da empresa cresceu 50% em um ano.

“Ele é um cara forte comercialmente e com muita disciplina financeira, mas que também fala bem com todo mundo; é adorado pela equipe,” disse o executivo

Na Heineken, “ele não vai querer resolver os problemas baixando preço, e sim encontrando soluções de longo prazo. Vai ser bom para a Heineken e para as concorrentes também.”

 A ação da Heineken subiu 2,2% hoje com a notícia. A Anheuser-Busch InBev subiu 1,9%.

A troca no comando da Heineken tem a ver em grande parte com Peter Wennink, o respeitado ex-CEO da ASML que assumiu como chairman da Heineken em abril de 2025 depois de um ano no board.

Wennink viu que a cervejaria holandesa – que assim como a maioria das grandes produtoras de bebidas tem sofrido com as mudanças de comportamento do consumidor – precisava de um novo approach, mais alinhado ao novo momento do mercado.

Nesta linha, a escolha por um executivo brasileiro faz todo o sentido, um empresário que atua no setor disse ao Brazil Journal.

“O Brasil é o maior mercado da Heineken e tem potencial para crescer mais, apesar do momento ruim,” disse esta fonte. “O Rafael chega para readequar a estrutura e melhorar a alocação de capital, o que é bom para a empresa e para o setor como um todo. A grande questão é que ele nunca atuou no ramo, e o mercado de cerveja tem suas idiossincrasias. Vai ser um desafio importante para ele.”

A escolha de Rafael cria um triunvirato brasileiro no topo da indústria global de bebidas. No fim de março, Henrique Braun assumiu como CEO da Coca-Cola. E Michel Doukeris, nascido em Santa Catarina, é o CEO da InBev.

A Heineken vale € 41 bilhões na Bolsa. Para efeito de comparação, a InBev vale € 131 bilhões.