O Citi elevou sua recomendação para a Hypera de ‘neutro’ para ‘compra’, citando uma confiança maior no crescimento do sellout, ganhos de margem pela valorização do real, e a melhora na geração de caixa – além de um upside potencial com a entrada da farmacêutica no mercado de GLP-1.
O banco elevou o preço-alvo para R$ 28, um potencial de alta de 17% em relação ao preço de tela. O papel abriu em alta de 4,5% com a notícia.
O Citi se junta a outros oito bancos que já têm recomendação de ‘compra’. Os únicos ainda com recomendação ‘neutra’ são BTG, UBS, Safra e Goldman Sachs.
“Com a ação negociando a 7,2x e 6,5x o lucro estimado para este ano e 2027 (ou 10,1x e 8,7x considerando premissas mais conservadoras), o valuation parece barato,” escreveu o analista do Citi, Leandro Bastos.
Para ele, o principal risco da tese seria uma piora do capital de giro.
“O crescimento do sellout tem sido mais consistente e, recentemente, mais alinhado ao mercado comparável, resolvendo parcialmente nossa preocupação anterior de que uma política mais rígida de capital de giro — visando reduzir os estoques nos canais de distribuição para cerca de 60 dias — limitaria o tamanho do mercado endereçável,” escreveu o Citi.
“Além disso, uma estimativa simplificada de que o primeiro trimestre represente cerca de 20% das vendas anuais totais implicaria uma receita anual de aproximadamente R$ 10,1 bilhões (+9% versus a estimativa do Citi).”
O Citi notou ainda que a Hypera continua na lista de registro da ANS para vender no Brasil um genérico da semaglutida – a molécula do Ozempic, que perdeu a patente em abril.
“A visibilidade sobre a potencial participação de mercado e sobre a rentabilidade marginal naturalmente ainda é limitada neste estágio,” escreveu o Citi. “Mas um cenário com ganho gradual de participação de mercado de 2,5% e 5%; margem bruta média de 60%; e investimentos equivalentes a 10% em visitas médicas poderia representar um potencial de alta no EBITDA de 3% e 5% em relação às nossas projeções atuais para este ano e 2027, respectivamente.”
O upgrade do Citi vem dois dias depois do Grupo Votorantim anunciar que aumentou sua posição na Hypera, de 13,2% para 15,8% do capital.
Um gestor comprado no papel acredita que a Votorantim deve aumentar ainda mais sua posição.

O acordo de acionistas da Hypera estipula que, para que a Votorantim tenha os mesmos poderes do fundador João Alves de Queiroz, o Júnior, ela teria que ter uma posição equivalente a 90% da posição de Júnior. Hoje, isso significaria aumentar a fatia dos 15,8% para 23,5%.
“Se o Votorantim colocou isso no acordo de acionistas é que provavelmente em algum momento eles querem chegar lá,” o gestor comprado no papel disse ao Brazil Journal. “O Votorantim está muito líquido e tem sinalizado que quer diversificar seu portfólio.”
Os poderes de Júnior incluem a escolha do chairman e poder de veto em diversos temas.
A Hypera vale R$ 16,4 bilhões na Bolsa. A ação cai 2,7% nos últimos doze meses.











