O Santander apresentou hoje um plano para o período de 2026-2028 que prevê elevar o lucro de sua operação global para € 20 bilhões, e o RoTE (retorno sobre o patrimônio tangível) para 20%.

No ano passado, o banco da família Botín lucrou € 13,1 bilhões e teve um retorno de 16,3%.

Para a franquia brasileira, a meta é elevar o RoTE de 15,3% em 2025 para os mesmos 20% em 2028. 

O Santander projeta um aumento da base de clientes global de 180 milhões para 210 milhões até 2028 –, o que aumentaria o total de fees no varejo, o principal negócio do banco, em high single digit.

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O grupo também prevê ganhos significativos de eficiência – parte gerada pelas sinergias das aquisições do americano Webster e do britânico TSB em 2025. O banco estima que essas sinergias devem chegar a cerca de US$ 1,3 bilhão até 2028. 

O plano é reduzir o índice de eficiência – a razão entre despesas e receitas – de 45,3% em 2025 para 36% em 2028, um patamar comparável ao de bancos digitais com operações globais como Nubank e Revolut. 

O Santander vai continuar implementando a estratégia que nos últimos anos tornou o banco mais “simples, efetivo e previsível,” disse a presidente executiva Ana Botín no Investor Day em Londres. “Mudamos a cultura e a maneira como tocamos o banco, o que alguns consideram boring banking.”

Mas o boring tem sido profitable. O Santander entregou seu guidance nos últimos três anos, quando aumentou as receitas em 8% e os custos em apenas 4%. 

A ação dobrou nos últimos 12 meses, e hoje chegou a subir quase 5% em Nova York. No Brasil, cai cerca de 2%.

“Entregamos apesar do macro,” disse Botín, citando o Brasil, onde os juros estão mais altos que o previsto há mais de um ano.

O CEO Héctor Grisi disse que o Santander deixou de ser uma “federação de bancos” e passou a operar como um grupo coeso. Agora, vai “escalar o que tem funcionado e executar com precisão” para entregar as metas dos próximos três anos. 

Grisi abordou também a estratégia para a operação brasileira, que prevê realocar capital para negócios lucrativos e que permitam crescimento com qualidade, como PMEs, corporate e Select (o segmento de alta renda do varejo) – algo que o CEO Mario Leão mencionou na última divulgação de resultados.

Respondendo a uma pergunta sobre por que o banco não busca um retorno superior a 20% no Brasil – como o do Itaú – Botín disse que o Santander deve mirar mais de 20% no futuro, “mas que esse é o número que o banco se sente confortável em divulgar agora.” 

Grisi disse que é preciso encontrar o equilíbrio correto entre tomar mais riscos e não “deixar dinheiro na mesa” no Brasil. Afirmou ainda que é preciso melhorar o custo de servir e, se a estratégia for implementada com sucesso e o ambiente macro melhorar, é possível superar os 20% de RoTE. “Não sei se consigo isso em dois anos, mas é possível.”

O Santander informou também que as aquisições do Webster e do TSB devem aumentar o share de empréstimos em moeda forte de 75% para 80%, o que deve reduzir a volatilidade dos resultados e o custo de capital.