A Profarma, dona da rede de drogarias d1000, acaba de comprar a 4Bio, o negócio de distribuição de medicamentos de alta complexidade da RD Saúde, por R$ 600 milhões.
O negócio inclui a manutenção de R$ 80 milhões de caixa líquido que a 4Bio tinha no fechamento da transação, o que implica um equity value de R$ 520 milhões.
O múltiplo implícito é de 6,2x o EBITDA dos últimos doze meses até setembro de 2025.

O pagamento será feito em cash, em seis parcelas iguais de R$ 100 milhões – sendo a primeira no fechamento da operação e as cinco restantes ao longo dos cinco anos seguintes, corrigidas pelo CDI.
O negócio precisa do aval do CADE.
Num dia de queda generalizada dos mercados, a ação da Profarma caía 8,5% por volta das 12:30 hs, enquanto a RD Saúde perdia 4%.
A 4Bio teve receita de R$ 3,4 bilhões nos últimos doze meses até setembro – um crescimento médio anual de 15% desde 2023 – além de EBITDA de R$ 85 milhões e lucro líquido de R$ 236,6 milhões
O CEO da Profarma, Sammy Birmarcker, disse que a aquisição é “transformacional” para a distribuidora e medicamentos.
Ele estima um mercado endereçável de cerca de R$ 55 bilhões para a companhia, e disse que o negócio tem potencial de ser “quase do tamanho da Profarma” no futuro.
“Boa parte dos lançamentos mais importantes de inovação virão para essa área de maior complexidade. É uma nova avenida de crescimento para a gente,” Sammy disse ao Brazil Journal.
Renato Raduan, o CEO da RD Saúde, disse que sua empresa preferiu vender a 4Bio porque o ativo não estava plenamente alinhado às principais competências da companhia e que outros proprietários poderiam alavancá-lo com mais potência.
A aquisição, a maior da história da Profarma, marca a volta da empresa ao segmento cinco anos após a venda da Profarma Specialty para a Viveo em 2021.
Na época, a Profarma vendeu o ativo a um valuation de 10x EBITDA, num deal de R$ 800 milhões.
Com o non-compete encerrado em abril do ano passado, a Profarma iniciou as conversas com a RD Saúde. “Saímos por um múltiplo muito mais alto e estamos voltando por um múltiplo bem mais baixo,” disse Sammy.
A 4Bio atua na distribuição de medicamentos especiais e de alta complexidade para hospitais, clínicas, operadoras e pacientes, o que inclui a nova joia do setor: os medicamentos GLP-1.
Segundo dados da IQVIA citados pela companhia, o mercado institucional movimentou R$ 94 bilhões em 2025, com crescimento de 13% sobre 2024 e expectativa de expansão de dois dígitos nos próximos anos.
Segundo Sammy, a principal sinergia está na margem bruta, com ganhos vindos da malha de supply da Profarma e dos benefícios tributários da distribuição.
Há ainda potenciais sinergias de backoffice, sistemas, inteligência de mercado e relacionamento com fornecedores.
Na logística o ganho é mais limitado, já que a maioria dos medicamentos exige infraestrutura de cadeia fria – com temperatura entre 2ºC e 8ºC.
Com a aquisição, a alavancagem da Profarma deve sair dos atuais 1,5x EBITDA para atingir um pico entre 2x e 2,5x entre 2027 e 2028.
O CFO Max Fischer notou que, como o negócio foi estruturado com seller financing, isso reduz a pressão sobre a alavancagem bancária.
Segundo Sammy, a expectativa é que o próprio caixa gerado pela 4Bio pague a aquisição ao longo dos cinco anos. Ao final do período, a companhia projeta ter uma alavancagem inferior à atual.
“O plano de negócio é que a própria 4Bio gere caixa nesse período para pagar a aquisição,” disse Sammy, que não descarta a realização de um follow-on caso haja uma janela.
Com o negócio, o faturamento anual do braço de distribuição da Profarma deve girar em torno de R$ 15 bilhões; a empresa ainda não divulgou os resultados do quarto tri.
Singular Partners assessorou a Profarma, que trabalhou com Trench Rossi Watanabe.
Rothschild & Co assessorou a RD Saúde, que usou o BMA.











