A HBR Realty acaba de lançar uma oferta para comprar 100% da Helbor – numa operação que vai unir duas empresas do mesmo controlador com o objetivo de extrair sinergias e destravar o valor das ações, que estão paradas há anos na Bolsa.
A transação é uma troca de ações, com os acionistas da Helbor recebendo 0,815 ação da HBR para cada ação que tinham da Helbor.
A relação de troca foi estabelecida com base no valor médio das ações das duas empresas nos últimos 90 pregões.
Hoje, tanto a HBR quanto a Helbor são controladas pela família Borenstein, que tem 51% do capital de cada uma. O free float é extremamente pulverizado entre pessoas físicas e fundos, com nenhum investidor detendo mais de 5% do capital.

“Esse movimento vai criar uma companhia maior, mais fluída, com uma governança mais simples, e com otimização de custos,” o CEO da HBR, Alexandre Nakano, disse ao Brazil Journal. “Esperamos que isso destrave valor na Bolsa e também entregue mais valor para os clientes.”
Nakano disse que a decisão de fazer esse movimento agora teve a ver com a performance das ações na Bolsa. No ano passado, a HBR vendeu ativos que somaram mais de R$ 500 milhões, mas ainda assim seu papel não saiu do lugar.
“Não é que a gente meça nosso sucesso só pela régua do mercado, mas quando você faz uma venda de meio bi achando que vai destravar valor e não destrava, você começa a pensar se não precisa fazer um movimento maior,” disse ele.
Enquanto o Ibovespa subiu 24% nos últimos doze meses, a ação da HBR caiu 22%, com a empresa valendo R$ 271 milhões na Bolsa. Já a Helbor cai cerca de 5% no mesmo período e vale R$ 317 milhões. As duas empresas negociam com um desconto de cerca de 30% em relação ao valor patrimonial.
Parte do desconto tem a ver com a liquidez dos papéis, que é extremamente baixa hoje. As ações da HBR negociam cerca de R$ 1 milhão por dia, enquanto a Helbor negocia R$ 2,5 mi. Com a fusão, a liquidez já sobe no D+0 para R$ 3,5 milhões, mas a expectativa das empresas é que ela chegue a R$ 5 milhões – se aproximando da liquidez de empresas como Even e Log.
A unificação dos dois negócios vai criar uma empresa com faturamento combinado de R$ 1,6 bilhão, lucro bruto de R$ 559 milhões e patrimônio líquido de R$ 3,2 bi.
Além disso, vai dar origem a um negócio mais diversificado e previsível, já que vai unir o negócio de incorporação residencial da Helbor com o fluxo de caixa resiliente da HBR, que recebe renda dos aluguéis de seus ativos – essencialmente prédios comerciais, strip malls com a marca ComVen e hotéis como o W, recém inaugurado em São Paulo.
Nakano disse ainda que a união das duas empresas vai permitir que a HBR use parte do land bank da Helbor para construir novos empreendimentos.
“Na HBR, um dos grandes desafios que temos é encontrar terreno. A Helbor tem um land bank de R$ 12 bilhões, que é 83% em São Paulo e a grande parte em regiões de médio e alto padrão,” disse o CEO.
Outro benefício da operação, na visão de Nakano, será a governança.
Hoje, decisões que envolvem as duas empresas precisam passar por dois conselhos e pelos comitês das duas companhias. A incorporação da Helbor pela HBR vai dar mais agilidade às tomadas de decisão, o que deve gerar ganhos de eficiência.
A OPA ainda precisa ser aprovada pelos acionistas minoritários da Helbor. A companhia vai chamar uma assembléia geral extraordinária nas próximas semanas, onde pelo menos dois terços dos acionistas habilitados precisam votar a favor.
A HBR foi assessorada pelo BTG Pactual e o Bradesco BBI foi contratado para emitir a fairness opinion.
O Trindade Advogados deu a assessoria jurídica.











