A Ânima acaba de reportar um primeiro tri com uma captação mais forte do que o mercado esperava e números em linha com o consenso.
O principal destaque foi a captação do negócio core, que engloba o ensino presencial e semipresencial e cresceu 7,7% no trimestre, o período mais importante para o setor de educação.
“Foi melhor do que esperávamos e também foi muito melhor do que a média do mercado,” a CEO Paula Harraca disse ao Brazil Journal.

A receita líquida da dona das faculdades Anhembi Morumbi, São Judas e UNA subiu os mesmos 7,7% na comparação anual, chegando a R$ 1,12 bilhão – em linha com o consenso.
Além do presencial, a Inspirali – o braço de medicina da Ânima – ajudou na performance do tri: a receita líquida avançou 6,1% para R$ 410,2 milhões.
O EBITDA ajustado da companhia, por sua vez, subiu 4,4% ano contra ano para R$ 450,7 milhões, praticamente empatando com o consenso.
A margem EBITDA, no entanto, caiu 1,1 ponto e veio abaixo do que o mercado esperava.
O CFO Átila Cunha disse que isso aconteceu por causa de um aumento pontual nos investimentos em marketing: a Ânima percebeu uma melhora significativa nas taxas de conversão, especialmente após investimentos em AI, e decidiu acelerar.
Entre as iniciativas implementadas estão a matrícula via WhatsApp, o monitoramento automático do funil e campanhas hiperlocalizadas e geradas por AI.
“Mas é algo que vai se ajustar nos próximos trimestres,” disse o CFO.
O bottom line atribuído aos acionistas subiu 11% e fechou em R$ 106,2 milhões – batendo o consenso em cerca de 10%.
Segundo Paula, mais do que os números em si, o crescimento da Ânima foi de “qualidade”.
Enquanto alguns concorrentes vêm acelerando a captação com programas próprios de financiamento estudantil, a Ânima disse que cresceu com menos crédito privado e mais alunos pagantes.
No trimestre, cerca de 5,1% dos alunos entraram na faculdade com algum tipo de financiamento (privado ou público), uma taxa menor que a concorrência.
O novo marco regulatório do EAD – que endureceu as regras para cursos à distância – impactou os números da Ânima, mas a companhia deve ser a menos afetada entre as empresas listadas, segundo analistas ouvidos pelo Brazil Journal.
A base de alunos de ensino digital da companhia caiu 12% no trimestre, um cenário que deve se repetir nos próximos trimestres.
Isso, no entanto, não preocupa a companhia. Segundo Paula, a Ânima está perdendo muito menos que o mercado ao aumentar seu tíquete médio, mirando um segmento mais premium.
“O mais importante é que a captação de alunos que a Ânima está fazendo agora já está totalmente em linha com as novas regras,” disse Paula. “O marco regulatório apenas confirmou o que nós sempre pensamos sobre o ensino.”
A alavancagem segue sendo um dos principais pontos monitorados pelo mercado, mas a companhia voltou a mostrar melhora na geração de caixa, que cresceu 14,3% para R$ 299 milhões.
Resultado: a alavancagem caiu 0,1x, chegando a 2,39x.
“A desalavancagem segue como prioridade, mas estamos muito focados no aumento da geração de caixa, que vem crescendo tri após tri,” disse o CFO.
Os executivos também veem uma possibilidade do retorno do setor aos M&As – tanto no presencial quanto nos cursos de medicina.
Segundo Átila, o crescimento do EAD nos últimos anos reduziu o incentivo para M&As porque a expansão vinha acontecendo de forma orgânica, com a abertura massiva de polos. Agora, o racional muda.
“O ensino presencial volta a crescer e volta a ser uma base fértil para M&A,” disse o CFO.
Neste trimestre, a Ânima anunciou a compra de 10% da Faseh, uma faculdade de medicina na região metropolitana de Belo Horizonte, por R$ 45 milhões – valor que parte do mercado achou alto.
A Ânima havia comprado 51% da faculdade em 2020 por R$ 172,4 milhões.
Átila discorda dessa visão.
“O mercado não colocou no preço que a Faseh é uma faculdade que gera muito caixa. A compra foi barata,” disse o CFO.
A ação da Ânima sobe 27% nos últimos doze meses e negocia a 6 vezes o lucro estimado para este ano. A empresa vale R$ 1,7 bilhão na B3.











