Depois da Randoncorp cair mais de 50% desde janeiro do ano passado, o JP Morgan decidiu calcular o upside potencial para a ação considerando a soma das partes.
A conclusão: o papel poderia subir 230%, já que só a participação de 50,6% que a Randon tem na Frasle vale R$ 3,13 bilhões – o equivalente a cerca de R$ 8,95 por ação da Randon, mais de 180% acima do preço atual.
“Isso sugere que o mercado está efetivamente atribuindo um valor negativo de cerca de R$ 1,41 bilhão para as operações da Randoncorp excluindo a Frasle,” escreveu o analista Marcelo Motta.
“Nessa base, a Randon ex-Frasle está sendo negociada efetivamente a um múltiplo P/L para os próximos 12 meses de -70x, já que o consenso de mercado espera cerca de R$ 20 milhões de lucro para a Randon ex-Frasle.”
Mesmo excluindo a Frasle da conta, o JP Morgan vê um potencial relevante para a ação: mais de 50% em relação ao preço de tela. A maior parte do valor está nos segmentos de autopeças, que o banco diz que vale R$ 4,70 por ação, e de serviços financeiros (R$ 2,70).
O preço deprimido pode ter uma justificativa. Motta diz que os investidores mais pessimistas com a tese argumentam que os fundamentos são fracos, com volumes de vendas pressionados, e que os múltiplos estão comprimidos desde o início de 2025, sugerindo que a ação pode ser um “value trap.”
O analista nota que as vendas domésticas de implementos rodoviários caíram 18% nos últimos 12 meses, enquanto o EBITDA do primeiro trimestre da Randon ficou em R$ 370 milhões, uma queda de 13% na comparação anual, com margem de 12%, abaixo dos níveis de 14%-14,5% observados em 2023 e 2024.
“Vemos poucos catalisadores no curto prazo: os juros no Brasil devem permanecer elevados por mais tempo, o real continua mais forte do que em 2025 e os volumes da indústria seguem fracos — com produção de caminhões e implementos em queda de dois dígitos,” escreveu o analista.
“Ainda assim, acreditamos que o valuation atual da ação, o potencial de valorização até nosso preço-alvo de R$ 8, a melhora gradual das tendências operacionais e a alavancagem que a empresa tem a um cenário de recuperação macroeconômica do Brasil justificam a manutenção da recomendação de compra.”
O JP Morgan disse ainda que novos pedidos da Hercules – cerca de 1,2 mil unidades a serem entregues nos próximos seis meses – e encomendas ferroviárias de aproximadamente R$ 250 milhões para o restante de 2026 devem impulsionar os resultados da divisão de implementos rodoviários (OEM).
Essa vertical tem pressionado o desempenho consolidado, com margem EBITDA de 3,6% no primeiro tri, contra 12% da companhia como um todo.
A Randon vale R$ 1,74 bilhão na Bolsa, com o papel caindo 43% nos últimos doze meses.
Nas contas do JP Morgan, a ação negocia a 4,8x EBITDA, em comparação a 7x da Frasle, a 5x da Marcopolo e a 4,7x da Tupy – os comparáveis mais próximos.











