A Goldman Sachs tem eclipsado a performance dos seus pares na Bolsa, refletindo o bom momento operacional do banco e sua liderança nas ofertas do setor de tecnologia.
Mas para a revista Barron’s, a ação já andou demais.
O papel sobe 70% em 12 meses – um ganho três vezes maior que o do JP Morgan e do Bank of America e 20% acima do Morgan Stanley – e o preço de tela de US$ 1.038 está acima do preço-alvo médio do mercado, que é de US$ 980.

“Bank of America e JP Morgan parecem apostas melhores do que a Goldman e o Morgan Stanley nos preços atuais,” disse a Barron’s.
A Goldman está bombando porque o investidor a vê como uma extensão das teses de tecnologia e AI, dada a dominância do banco nas ofertas de ações e M&As do setor.
Além de participar da oferta de US$ 80 bi da Alphabet, o banco está liderando o IPO da SpaceX (que vai levantar US$ 75 bi) e também deve ter papel de destaque na abertura de capital da Anthropic.
O problema é que a ação andou demais e passou a precificar a própria Goldman como uma Big Tech, disse a Barron’s.
O papel negocia hoje a 3 vezes o valor patrimonial, a máxima dos últimos 20 anos, e a 18 vezes o lucro projetado para este ano, 50% acima do múltiplo do JP Morgan e do BofA.
A Barron’s afirma que a empolgação dos investidores com a área de investment banking da Goldman não é suficiente para justificar tamanho descolamento, já que o IB corresponde a apenas 15% da receita do banco.
O negócio de trading e mercados lidera com cerca de 50% de participação nos resultados, enquanto a operação de gestão de patrimônio responde pelos outros 35%.
A área de trading, onde a Goldman tem uma exposição maior que a dos pares, é menos transparente e mais volátil que as outras, merecendo normalmente um múltiplo menor que o dos outros negócios, disse a revista, mas este não é o caso no momento.
O BofA, que tem lucros 50% maiores que os da Goldman, vale US$ 382 bilhões na Bolsa, apenas 20% a mais do que a rival.
“[Estou] perplexa,” Erika Najarian, uma analista do UBS, escreveu sobre o desempenho inferior do JP Morgan em relação à Goldman, dado que o banco de Jamie Dimon está exposto às mesmas tendências de mercado.
Com o preço esticado, podem pesar contra a ação da Goldman uma decepção com o IPO da SpaceX e uma correção do mercado motivada por preocupações com AI e tecnologia. Em março, quando houve uma fuga do risco com o começo da guerra no Irã, a ação chegou a cair a US$ 800.
No entanto, enquanto o setor de tech estiver bem na Bolsa, a Goldman pode continuar performando.
“É melhor sair da frente,” disse Erika. “Uma posição vendida baseada em valuation pode não se sustentar.”
A Goldman também acaba de registrar o segundo melhor resultado de sua história no primeiro tri, e analistas esperam um crescimento de 15% no lucro este ano, para US$ 60 por ação.
Questionado numa conferência da Bernstein sobre a performance da Goldman na Bolsa, o presidente e COO do banco, John Waldron, disse que “valuation alto é subjetivo” e que o objetivo do banco é acelerar o crescimento de lucro e levantar a barra de seu retorno.
A Goldman vale US$ 306 bilhões na NYSE.






