A Warren – a corretora fundada em 2017 por ex-sócios da XP – acaba de fechar a venda da maior parte de seus ativos para o grupo argentino Cocos Capital, colocando fim a uma negociação que começou há quase um ano, fontes a par do assunto disseram ao Brazil Journal.

A Cocos está comprando a Renascença, a corretora focada em clientes institucionais que a Warren comprou em 2021, além da asset e da vertical de mercado de capitais da empresa.

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A transação é essencialmente uma troca de ações, com um pequeno componente de dinheiro para dar saída parcial aos fundos de venture capital que investiram na Warren – uma lista que inclui gestoras como o GIC, Citi Ventures e Kaszek. 

Segundo uma das fontes, os cinco fundadores da Warren – os irmãos Tito e André Gusmão, Kelly Gusmão, Rodrigo Grundig e Marcelo Maisonnave – não estão se tornando acionistas da Cocos porque vão tocar um novo projeto de tecnologia que deve ser anunciado nas próximas semanas com novos investidores, incluindo a eB Capital, de Eduardo “Duda” Melzer. 

Por conta deste projeto, eles vão manter alguns ativos da Warren e levar parte da equipe. 

A Warren faturou mais de R$ 200 milhões no ano passado e opera no breakeven. O maior negócio da empresa é a Renascença, que responde por mais de 60% do top line e atende clientes institucionais como o Itaú BBA e a Goldman Sachs, além de tesourarias e fundos de pensão. A Renascença transaciona cerca de R$ 10 bilhões por dia. 

O segundo maior negócio que fez parte da transação é a gestora, seguida pela vertical de mercado de capitais, criada há quatro anos e que estrutura transações de ECM e DCM.

Para a Cocos, a transação marca sua primeira expansão internacional, e vem num momento de forte crescimento da fintech.

A Cocos foi fundada em 2021 na Argentina por Nicolás Mindlin, cuja família é dona da Pampa Energía, uma das maiores empresas de geração de energia do país, onde ele trabalhou 12 anos e foi CFO por quatro. O outro co-fundador é Ariel Sbdar, um influenciador de finanças com mais de 200 mil seguidores no Instagram.

A Cocos saiu do zero para mais de 2 milhões de clientes com um time de apenas de 200 funcionários e sem levantar nenhum capital. Os fundadores colocaram US$ 50 mil no início e, desde então, expandiram a operação com a geração de caixa do próprio negócio.

A empresa apostou num tripé que combina uma plataforma digital de investimentos com foco na experiência, um trabalho forte nas redes sociais e agilidade para lançar novos produtos com base no feedback dos clientes.

No verão passado, por exemplo, a startup lançou uma solução que permitia que os argentinos usassem o Pix para fazer pagamentos no Brasil. “Eles perceberam que muitos argentinos iam viajar para o Brasil porque o câmbio estava muito barato e lançaram essa funcionalidade muito rapidamente, antes até do que o Mercado Pago,” disse uma fonte.

No final do ano passado, a Cocos atingiu uma receita mensal anualizada (ARR) de US$ 70 milhões, com US$ 2 bi em ativos sob gestão.

Apesar da forte competição do mercado brasileiro, a Cocos acredita que conseguirá replicar o sucesso que teve na Argentina e se diferenciar da concorrência com a mesma fórmula que usou em seu país de origem, disse uma fonte próxima à companhia.

O plano da fintech é que o Brasil se torne seu maior mercado num curto espaço de tempo.

“Eles têm essa visão de construir uma grande empresa global e geracional. A Argentina é um mercado interessante, mas que tem um limite claro,” disse esta fonte. “Olhando os países na região, o Brasil é o que tem o mercado de capitais mais avançado e a maior oportunidade.”

 

ARQUIVO BJ

A Warren está à venda. A dúvida é o preço