A Alloha Fibra – o provedor de serviços de fibra ótica controlado pela eB Capital que agora opera com a marca Giga+ – acaba de levantar US$ 350 milhões com a emissão de seu primeiro bond.

O papel saiu a um yield de 12,25% e vencimento em fevereiro de 2032. Os recursos serão usados para refinanciar dívidas de curto e médio prazos, alongando em cerca de um ano e meio o prazo médio do passivo da companhia.

“É um projeto de refinanciamento,” o CEO Roger Solé disse ao Brazil Journal. “Tínhamos dívidas muito curtas, o que dificultava a operação porque estávamos sempre pensando no próximo vencimento.”

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Depois da proteção cambial, o custo da nova dívida ficará pouco acima de CDI mais 4% – alto, mas não muito distante do custo de capital da companhia, segundo Eduardo Sirotsky Melzer, o Duda, o CEO da eB Capital e chairman da Alloha.

“Quando se olha apenas a taxa, ela pode parecer alta, mas estamos falando de uma primeira emissão num setor que também nunca tinha feito isso no Brasil – num contexto bastante adverso,” disse Duda. 

O refinanciamento vem num momento em que a eB Capital está rodando um processo para dar saída aos investidores minoritários da Alloha – donos de 30% de capital – e potencialmente combinar o ativo com um player estratégico, fontes a par do assunto disseram ao Brazil Journal.

Ao longo dos últimos anos, Melzer teve conversas com a TIM Brasil e a V.Tal. Mais recentemente, uma conversa que prosperou foi com a Zaaz, controlada pelo grupo argentino Werthein e dona da SKY no Brasil, disseram essas fontes, notando que um acordo não parece iminente.

A colocação do bond foi liderada pela Goldman Sachs, num consórcio que inclui ainda Bradesco BBI, Itaú BBA e UBS BB. Durante o roadshow, Solé e o CFO Felipe Matsunaga conversaram com mais de 80 investidores.

Segundo Duda, a demanda chegou perto de US$ 500 milhões, e mais de 95% do book ficou com investidores internacionais.

Os bonds têm como garantia a infraestrutura de rede da Alloha – uma estrutura semelhante à utilizada nas debêntures da companhia, que têm prioridade num evento de crédito.  

A Alloha encerrou o primeiro tri com uma dívida líquida de aproximadamente R$ 2,36 bilhões. A alavancagem era de 3,5x EBITDA. Cerca de R$ 400 milhões são de empréstimos de curto prazo.

A companhia havia obtido um waiver no fim do ano passado, elevando temporariamente o teto do indicador para evitar um vencimento antecipado das dívidas.

O endividamento é resultado do ciclo de expansão da Alloha, criada a partir da consolidação de diversos provedores regionais.

Eduardo Sirotsky Melzer

Desde 2018, a empresa realizou uma série de aquisições e ampliou sua presença para mais de 860 cidades em 22 estados.

No ano passado, porém, a gestão mudou a prioridade: deixou de perseguir crescimento a qualquer custo e passou a concentrar seus esforços em rentabilidade, integração operacional e geração de caixa.

Segundo Solé, essa recuperação foi um dos principais argumentos apresentados aos investidores durante o roadshow.

“O mercado internacional não queria uma promessa ou um plano para daqui a três anos,” disse o CEO. “Eles queriam ver que o turnaround já estava acontecendo.”

Segundo Solé, a estratégia agora não é construir redes em novas regiões, o que exigiria mais capex e colocaria a companhia em mercados com concorrência acirrada. A Alloha pretende crescer usando a infraestrutura que já possui.

A empresa tem cerca de 145 mil quilômetros de fibra e uma rede que passa diante de 8,3 milhões de residências. Como possui menos de 1,4 milhão de clientes, a penetração ainda está próxima de 17%.

“Temos uma rede que já foi construída e paga, e que ninguém consegue replicar de um dia para o outro,” disse Solé. “O nosso trabalho é monetizar esses ativos com excelência operacional.”