A Bemobi está abrindo uma nova vertical dentro de seu negócio de pagamentos – a grande aposta da empresa para os próximos anos e que já responde por cerca de 70% da receita.
A companhia disse hoje que vai começar a atender as administradoras de condomínios residenciais, e já fechou um primeiro contrato com a Apsa – a terceira maior do Brasil, que administra mais de sete mil imóveis.

O movimento faz parte da mudança estratégica que a Bemobi está implementando há cerca de quatro anos.
A companhia nasceu distribuindo games mobile e aplicativos por meio de uma plataforma de assinaturas vendidas aos clientes pré-pagos das operadoras de telecom em mais de 60 países.
Antes do IPO da Bemobi, em fevereiro de 2021, essa vertical respondia por mais de 90% do negócio. Agora – depois do crescimento acelerado da solução de pagamentos, criada em 2022 – representa só 30%.
A solução de pagamentos da Bemobi é embedada nos sites das empresas, permitindo que setores essenciais e com contas mensais ofereçam PIX e cartão de crédito como meios de pagamento – com diferentes modalidades, incluindo parcelamento e pagamento pelos wallets do cliente.
Em tese, isso gera uma diferenciação para essas empresas e um relacionamento mais próximo com o cliente – que até pouco tempo só podia pagar as contas usando o boleto.
O primeiro setor que a Bemobi atacou foi o de telecom, dada sua relação com as operadoras. Na sequência, entrou em distribuição de energia, saneamento e, mais recentemente, em educação e saúde, atendendo empresas como a Yduqs e a Hapvida.
“Depois desses segmentos, começamos a pensar qual outra grande conta que quase todo mundo paga, e chegamos nos condomínios,” o CEO Pedro Ripper disse ao Brazil Journal.
“É um mercado gigantesco, que movimenta mais de R$ 100 bilhões por ano, e onde há pouca diferenciação entre as administradoras. Nove em cada dez pessoas não sabem nem o nome da administradora do seu condomínio,” disse ele.
Ripper notou, no entanto, que o segmento é extremamente fragmentado – nenhum player tem mais de 2% de participação – o que torna a expansão mais complicada do que em setores como o de utilities.
“Nos condomínios, para capturar algumas dezenas de bilhões de mercado eu vou ter que vender para centenas de administradoras. É um playbook diferente do que estamos acostumados, e por isso estamos entrando com mais cautela,” disse ele.
O anúncio do novo segmento veio junto com a divulgação dos resultados do segundo trimestre.
A Bemobi reportou um crescimento de 30% no top line para R$ 227 milhões – impulsionado principalmente pelos pagamentos, que cresceram 75%.
O EBITDA cresceu 33%, chegando a R$ 79 milhões – com a empresa reportando a maior margem de sua história. Já o lucro líquido veio em R$ 45 milhões, uma alta de 30% ano contra ano.
A companhia disse ainda que assinou contrato com outros quatro clientes no trimestre – Aegea (saneamento); Vitru e FMU (educação); e Qualicorp (saúde) – e que lançou uma nova oferta de produto, uma modalidade de pagamento que permite combinar diferentes meios na transação (por exemplo, pagando a conta de luz metade no PIX, metade no cartão).
Ripper disse que o foco da empresa continuará sendo em pagamentos, e que estuda entrar nos segmentos de vida e previdência, wellness e academias. “É um segmento que não tem a mesma essencialidade das utilities, mas é um serviço recorrente que tem que buscar reduzir o churn,” disse ele.
Já o negócio legado da empresa – as assinaturas de games mobile – se manteve praticamente estável no trimestre, com as assinaturas crescendo 1%. Enquanto mercados como Nigéria, Egito, Ucrânia e Paquistão seguem crescendo, o Brasil e a América Latina têm apresentado queda nos resultados.
“No Brasil, que se digitalizou muito rápido, esse negócio está sumindo. Dois terços do negócio já desapareceu nos últimos anos. Mas tem outros mercados onde ainda cresce muito. Na teoria, é um negócio que tende a diminuir, mas na prática ainda não está, porque tem geografias que estão compensando. É um negócio que está se mostrando mais resiliente do que se imaginava.”
A Bemobi fechou o dia valendo R$ 2 bilhões na Bolsa. A ação sobe 13% nos últimos 12 meses.











