Apresentadora, modelo e empresária, Fernanda Lima passou boa parte da vida sendo vista — até encontrar, diante das câmeras, a própria voz. Em sua casa, em São Paulo, ela recebeu Nilton Bonder neste episódio de The Business of Life.
Nascida em Porto Alegre, Fernanda cresceu numa família de classe média, musical e festiva. A avó materna era professora de violão; sua mãe tocava violão, acordeão, piano, gaita e flauta. As melhores lembranças da infância vêm das férias no litoral gaúcho, quando a família saía de madrugada para fazer serenatas.
Aos 14 anos, acompanhou uma vizinha para se inscrever em um concurso de modelos. Saiu de lá convidada a participar — e, com o aval do pai, começou a carreira. A experiência internacional veio cedo, mas não decolou como ela imaginava.
Foi no Brasil, em trabalhos de publicidade e televisão, que Fernanda começou a despontar. “Meu trabalho maior não era passarela, era publicidade. Eu fazia televisão,” conta.
Pouco depois, trocou os comerciais pelos programas de TV. Após uma entrada ao vivo quase acidental na MTV, onde seus primos trabalhavam, Fernanda foi chamada para apresentar o Mochilão MTV. Depois de uma passagem pela Redetv, onde entrava ao vivo todos os dias, voltou oficialmente à MTV. “Nada como um programa ao vivo para aprender a se comunicar,” diz.
No ano 2000, veio o primeiro grande sucesso: Fica Comigo, programa de namoro entre jovens. Foi nesse período que conheceu o modelo, apresentador (e hoje marido) Rodrigo Hilbert, por intermédio de Antônio Amâncio, seu ex-empresário. O casal atravessaria junto a fama, a exposição pública e a chegada dos três filhos.
Depois de deixar a MTV, Fernanda entrou na Globo como atriz. Em Bang Bang, de 2005, conseguiu o papel principal. Mas a novela fracassou — e parte da crítica atribuiu o resultado a ela. “Apanhei muito,” diz. Após reverter a má fase com Pé na Jaca, no ano seguinte, entendeu que aquele não era seu caminho. “Eu já tinha um nome, mas não para aquilo. Era como se aquele lugar não me pertencesse,” diz.
A virada viria com Amor & Sexo. O programa nasceu da ideia de levar à TV aberta conversas sobre amor, desejo e sexualidade. Fernanda resistiu ao convite inicial. “Não tinha condição de apresentar um programa falando de sexo.” Aceitou — e ficou dez anos no ar.
Para Fernanda, Amor & Sexo foi mais do que um programa. A atração abriu espaço para temas e personagens então pouco vistos na TV aberta. “A gente queria encher aquele palco de gay, de trans, de preto, de gordo, de toda diversidade possível.”
Depois da Globo, da maternidade e da chegada da filha mais nova, Fernanda precisou se reinventar no mundo digital. A transição não foi natural. “Não consigo me gravar, não consigo falar naturalmente se não tiver luz, câmera,” diz.
No fim da conversa, Fernanda volta ao que aprendeu em casa. Para ela, a pergunta “o que você quer ser?” é mal colocada. Aos filhos, prefere responder de outro jeito: “Você já é. Nada é mais importante do que o que você já é.”
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