Controlador e chairman da Suzano, David Feffer está envolvido em uma nova empreitada: o Instituto ViaFoto, próximo ao Largo da Batata, onde recebeu Nilton Bonder para este episódio do The Business of Life.
Décadas antes da vida empresarial, David foi um fotógrafo amador. Aos 12 anos, após descobrir um curso por correspondência montou um pequeno laboratório improvisado em casa. “Fiz muitos ensaios. Cheguei a fotografar o casamento de uma funcionária nossa, de presente para ela,” diz.
Inaugurado em setembro com a proposta de “ativar o ecossistema da fotografia” por meio de exposições, formação e aceleração de carreiras, o ViaFoto tem um conselho artístico que inclui os colecionadores José Olympio Pereira, Ricardo Steinbruch e José Roberto Marinho, outro fotógrafo amador.
A criação do instituto também carrega a influência do fotojornalista Sebastião Salgado (1944-2025), que participou da concepção do projeto. “Ele veio aqui umas três vezes para escolher o lugar. O instituto seria um terço do tamanho atual, aí ele falou: de jeito nenhum.”
O ViaFoto se aproveita do recente movimento de transformação urbana de Pinheiros. “Isso aqui vai ser o distrito de arte de São Paulo. Tipo Wynwood, em Miami,” diz David. Há inclusive um projeto de túnel, para liberar o Largo da Batata aos pedestres.
Filho de Max (1926–2001) e neto de Leon Feffer (1902–1999), David vem de uma família de imigrantes judeus que fugiram da guerra e do antissemitismo do leste europeu. Em 1924 Leon fundou em São Paulo uma gráfica e papelaria — que se transformou na gigante de papel e celulose Suzano.
A fotografia acabou ficando, temporariamente, em segundo plano. “Eu saí da fotografia, me casei, fiz Exército, fiz CPOR,” diz. A experiência militar o marcou profundamente. “Eu não queria ir de jeito nenhum, e chorei de emoção no dia em que saí. Conheci gente incrível, um corte diagonal da sociedade.”
Com o ViaFoto, David retoma a tradição filantrópica do avô, que participou de iniciativas como o Hospital Israelita Albert Einstein e o clube A Hebraica. “O Leon sempre dizia: temos que ser gratos ao Brasil, que nos acolheu.”
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