8 de jun, 2026
Neste episódio do POWER, Adriano Pires visita Pedro Parente, ex-ministro da Casa Civil e ex-presidente da Petrobras. A conversa parte de uma dura realidade: “A política piorou. A qualidade da política, especialmente no âmbito federal, piorou muito,” diz Parente.
No setor de energia, essa miopia tem consequências diretas. “A visão, infelizmente, é uma visão de curto prazo, sempre de curto prazo,” diz. Além disso, existe um segundo problema, que Parente chama de “normalização do desvio” — a aceitação sucessiva de pequenas exceções até que elas se tornem um problema sistêmico.
A conta dos subsídios, lembra Adriano, já passa de R$ 50 bilhões. Mas segundo Parente, existe um segundo problema: as taxas de juros. “O país e o mercado financeiro se acostumaram a taxas reais de juros que são como se fosse um vício,” diz. Segundo ele, cada ponto percentual de juro real desnecessário custa cerca de R$ 60 bilhões.
Essa ausência de direção aparece também na Petrobras. Na visão do ex-presidente da companhia, o modelo atual misto “já deu o que tinha que dar.” Ele vê apenas três alternativas: o governo para de intervir, fecha o capital ou privatiza. “Não dá é para ficar na situação atual,” diz.
Para Parente, a estatal vive uma contradição: é uma empresa listada, com acionistas privados, mas continua sendo usada pelo governo como instrumento de política pública.“Quer fazer política pública com uma empresa, fecha o capital,” diz.
No caso do petróleo, o País precisa descobrir novos campos para manter seu nível de produção, a partir da década seguinte.“Dá perfeitamente para a gente ter uma política ambiental responsável, cuidadosa, e ao mesmo tempo nos permitir explorar as riquezas que o nosso país tem,” diz.
Na parte final, Parente amplia o diagnóstico para a economia. Diz que o Brasil precisa reduzir o principal da dívida pública e vê espaço para privatizações e alienação de patrimônio. Também critica o nível dos juros reais. “Não acredito que a gente precise de um nível de taxa de juros real tão elevado,”diz. E acrescenta que as taxas atuais se tornaram “como se fosse um vício.”
Para Parente, não podemos mais sermos o País do futuro. Até porque “ficando mais velho, daqui a pouco a gente não vai ter mais tempo de ver o país melhorar,” diz. “Está na hora de ser o país do presente,” diz Adriano. “Porque chega de futuro.”
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