A ação da Intelbras disparou 8% depois que a companhia reportou um trimestre que superou – com folga – as expectativas do mercado em EBITDA e lucro.

A melhora da rentabilidade teve a ver essencialmente com a redução de despesas, já que a receita veio fraca, com uma queda de 3,8% na comparação sequencial.

Este foi o segundo trimestre seguido em que a companhia de Jorge Freitas reporta números acima das projeções do sellside.

Para Maria Clara Infantozzi, que cobre a empresa no Itaú, o resultado mostra “a evolução bem-sucedida dos ajustes operacionais que a companhia vem implementando desde o segundo semestre de 2025.” 

A analista disse que a ação está reagindo bem por uma combinação entre as baixas expectativas dos investidores para este ano, um posicionamento técnico leve da ação, e um valuation atrativo, com o papel negociando a 8x o lucro estimado para este ano e um free cash flow yield de 15%.

No primeiro tri, a Intelbras fez uma receita líquida de R$ 1,1 bilhão com EBITDA de R$ 156 milhões e lucro líquido de R$ 153 milhões.

Todos os números vieram acima do consenso, mas o maior beat foi na rentabilidade, em grande parte por conta de despesas menores que o esperado. A receita superou o consenso em 3,8%, enquanto o EBITDA veio 12,4% acima e o lucro líquido, 16,1%.

Outro destaque foi o fluxo de caixa livre de R$ 172 milhões, que também veio acima das expectativas, superando as projeções do Itaú em mais de R$ 40 milhões. O FCF foi ajudado por uma melhora do capital de giro, incluindo uma redução de R$ 163 milhões nos estoques.

No BTG, o analista Osni Carfi também elogiou o resultado, apesar de ponderar que no top line a dinâmica continua fraca. 

“Ainda que 2026 deva ser mais um ano de expansão da receita abaixo da inflação, a companhia está claramente entregando seu plano de expansão de margens e melhora de ROIC em todas as linhas de negócio,” escreveu Osni. 

“As métricas de rentabilidade seguem evoluindo na direção correta, com as margens EBITDA melhorando de forma consistente e o ROIC pré-impostos dos últimos 12 meses atingindo 17,7% – e ainda em expansão. A geração de caixa também continua forte, e estimamos que a companhia possa gerar mais de R$ 600 milhões em fluxo de caixa livre em 2026, o que implica um FCF yield de cerca de 14%.”

Osni notou, no entanto, que a margem EBITDA do primeiro tri, de 14,1%, pode não ser sustentável, já que a própria empresa destacou que ela se beneficiou de despesas menores que o esperado, sugerindo que pode haver uma normalização para frente. 

Em termos de receita, a maior queda foi no segmento de energia (-10%), onde a Intelbras está reduzindo sua presença de forma intencional – saindo de projetos maiores de geração solar distribuída, que vinham entregando margens menores, e apostando mais em segmentos mais rentáveis como nobreaks, fontes de alimentação e carregadores para veículos elétricos.

Em segurança, o maior mercado da empresa hoje, a receita caiu 4% na comparação trimestral para R$ 690 milhões.

“Olhando para frente, é importante notar que, apesar do vento favorável do câmbio, esperamos que o segmento enfrente algumas pressões de custo relacionadas à alta nos preços de chips de memória e de outras matérias-primas,” escreveu o BTG. “Embora acreditemos que essas pressões devam eventualmente ser repassadas por meio de reajustes de preços, elas podem afetar temporariamente a dinâmica das margens no curto prazo.”

A surpresa positiva foi o segmento de comunicações, que fez uma receita de R$ 251 milhões – 2% acima da projeção do BTG mas uma queda de 2,2% tri contra tri.

Segundo Osni, o desempenho acima do esperado foi impulsionado principalmente pelo negócio de cabeamento estruturado (structured cabling), que continua ganhando participação dentro do mix de receitas. 

Depois da alta de hoje, a Intelbras vale cerca de R$ 5 bilhões na Bolsa. A ação sobe 10% nos últimos doze meses.