A Dasa voltou a gerar caixa e reverteu o prejuízo do ano passado no primeiro trimestre, avançando em seu processo de turnaround depois de uma ampla simplificação da operação da companhia.
No terceiro tri, a Dasa já havia reportado importantes melhoras operacionais, mas no quarto tri os números voltaram a desapontar – com um prejuízo de quase R$ 1 bi por conta de um writeoff de R$ 400 milhões relacionado à venda do Hospital São Domingos.
“Agora começamos 2026 sem nenhum desses efeitos contábeis,” o CEO Rafael Lucchesi disse ao Brazil Journal. “O time novo já está rodando muito bem junto e conseguimos um crescimento muito forte do top line e 100% orgânico.”
No ano passado, a Dasa alocou quase todos os seus hospitais (e cerca de R$ 3 bi da dívida) na Rede Américas, uma joint venture com a Amil, e vendeu três negócios: seus ativos na Argentina, seu negócio de saúde ocupacional, e o Hospital São Domingos.
Após esses desinvestimentos, a companhia da família Bueno ficou focada em seu core business – os laboratórios diagnósticos –, e com uma dívida líquida 50% menor, de R$ 5,6 bilhões no final do primeiro tri, uma alavancagem abaixo de 3x EBITDA.
Numa base pro forma – que considera apenas os ativos que a Dasa ainda tem hoje, ou seja, excluindo os hospitais da JV e os negócios vendidos – a receita líquida cresceu 14% ano contra ano para R$ 2,4 bilhões.
Nessa mesma base, o EBITDA cresceu 28% para R$ 573 milhões e a companhia lucrou R$ 9 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 150 milhões do mesmo período do ano passado.
Assim como vinha ocorrendo nos trimestres anteriores, o crescimento do top line foi puxado pelo segmento premium (a marca Alta), pelos atendimentos domiciliares e pelo B2B, onde a Dasa presta serviços de análise clínica para mais de 6 mil laboratórios menores.
A companhia também entregou um fluxo de caixa livre positivo em R$ 5 milhões no tri, mesmo com a sazonalidade negativa. No primeiro tri de 2025, a Dasa havia consumido quase R$ 100 milhões de caixa.
“Temos melhorado consistentemente nossa geração de caixa, que tem sido um dos nossos grandes focos,” disse o CEO. “Para este ano, vemos um potencial robusto de ter um bom fluxo de caixa livre no consolidado do ano.”
Historicamente, o primeiro e o segundo tri consomem muito capital de giro, que volta ao longo dos últimos dois trimestres. No ano passado inteiro, no entanto, a companhia gerou apenas R$ 20 milhões de caixa – um número que, segundo Lucchesi, tende a aumentar significativamente este ano.
O CEO disse que este será um ano de poucos investimentos, e que a Dasa vai buscar crescer a receita com a estrutura atual, com melhorias de margem.
Mas em 2027, cujo plano começará a ser desenhado em junho, a ideia é voltar a acelerar os investimentos, incluindo a abertura de novos laboratórios, especialmente da Alta, e investimentos maiores em tecnologia e nos laboratórios centrais.
No último ano e meio, a Dasa fechou 50 unidades que performavam abaixo do esperado.
A companhia também poderá fazer novos desinvestimentos. A Dasa ainda é dona do Hospital da Bahia e da AMO, uma rede de clínicas de oncologia também na Bahia.
Lucchesi disse que não há nenhum processo de venda aberto e que o foco atual é em fazer o turnaround desses negócios e tirar o melhor possível deles. Mas como a ideia da companhia é focar em diagnóstico, “se em algum momento surgir uma oportunidade sempre vamos avaliar.”
A Dasa vale R$ 3,94 bilhões na B3. A ação subiu 73% nos últimos doze meses.











