A J&F Investimentos contratou Reynaldo Passanezi, o ex-CEO da Cemig, para liderar suas operações de energia nuclear, fontes a par do assunto disseram ao Brazil Journal.

Não está claro quando Passanezi começa no novo emprego, mas a holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista já decidiu que o negócio nuclear ficará separado da empresa do grupo no setor elétrico, a Âmbar Energia.
Os Batista entraram no negócio nuclear em outubro de 2025, quando compraram a participação da Axia na Eletronuclear, tornando-se sócios do Estado brasileiro, o controlador da companhia.
Passanezi deixou a presidência da Cemig há um mês, depois de seis anos no cargo. Antes, comandou a transmissora ISA Energia, onde ficou sete anos e começou como diretor financeiro. Também teve passagens pelo banco BBVA e foi membro do Comitê de Privatizações do Estado de São Paulo entre 1995 e 1999.
Na J&F, Passanezi será a interface pública dos Batista na sociedade com o Governo na Eletronuclear, a estatal responsável pelas usinas de Angra 1, 2 e 3 – esta última, em construção desde os anos 1980 (!).
Com a compra da fatia da Axia, ainda em fase de conclusão, a J&F terá a maior parte do capital da Eletronuclear: 67,95% da empresa. Mas o controle seguirá com o Governo por meio da ENBPar, que tem 64,10% das ações com direito a voto.
Essa estrutura societária foi definida à época da privatização da antiga Eletrobras, uma vez que a Constituição veda o controle de atividades de energia nuclear por empresas privadas.
A J&F concordou em pagar R$ 535 milhões à Axia pela transação, além de comprar R$ 2,4 bilhões em debêntures da Eletronuclear.
Nos últimos anos, a J&F se tornou um dos maiores grupos do setor elétrico nacional por meio da Âmbar, que fez diversas aquisições e foi uma das principais vencedoras do leilão de capacidade de março.
A Âmbar opera termelétricas, pequenas hidrelétricas, usinas solares e um gasoduto, além de ser dona de concessionárias de distribuição no Amazonas e Roraima.
Passanezi terá como principal desafio a negociação com o Governo sobre a retomada das obras de Angra 3, e sua posterior implementação.
Paralisada em 2015 em meio à Operação Lava Jato, a usina chegou a ter uma retomada parcial em 2022, mas o canteiro está novamente parado à espera de uma decisão de Brasília sobre sua continuidade.
O projeto já consumiu cerca de R$ 12 bilhões, e tem avanço de 65%. Um estudo do BNDES estimou que serão necessários mais cerca de R$ 24 bilhões para sua conclusão, e que mesmo um abandono do fa obra custaria de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões em gastos com descomissionamento de estruturas e quitação de financiamentos.
A decisão sobre o futuro de Angra 3 será tomada no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que reúne diversos ministros e é presidido pelo Ministério de Minas e Energia.
O ministro Alexandre Silveira já afirmou em diversas ocasiões que é favorável ao avanço do projeto nuclear, e o tema chegou a entrar na pauta das reuniões do CNPE em algumas ocasiões, mas teve a discussão adiada até o momento.











