Em julho do ano passado, quando Donald Trump visitou o novo centro de detenção de imigrantes na Flórida – localizado nos pântanos dos Everglades e já apelidado de Alligator Alcatraz –, o Presidente dos EUA insistiu que o deputado Daniel Perez, presidente da Assembleia Legislativa do estado, fosse convidado para o evento.
Filho de cubanos e uma estrela em ascensão entre os republicanos trumpistas, Perez acaba de ser nomeado o novo embaixador dos EUA no Brasil. A nomeação ainda precisa ser aprovada pelo Senado americano, mas os Republicanos têm maioria na Casa.
Formado em Direito e sem nunca ter passado pela diplomacia dos EUA, Perez tem 38 anos e é um cubano-americano de primeira geração. Nasceu em Nova York, mas sua família mudou-se para a Flórida em 1993. Cresceu no subúrbio de Westchester, no condado de Miami-Dade.
Sua carreira política teve início em 2017, com sua eleição como deputado estadual na Flórida. Em 2024, conquistou a presidência da Assembleia.
De perfil semelhante ao do Secretário de Estado Marco Rubio, Perez vinha sendo cotado para disputar a eleição para procurador-geral do estado — mas aceitou o convite para ser o embaixador no Brasil.

“Foi uma indicação do Marco Rubio,” Rubens Barbosa, o ex-embaixador do Brasil em Washington, disse ao Brazil Journal. “Ele é um seguidor do MAGA [Make America Great Again].”
“Do ponto de vista americano, é um resultado natural dessa visão do Departamento de Estado de ser contra os países de esquerda aqui na região,” disse Barbosa. “Do nosso ponto de vista, é meio complicado. Se for aprovado no Senado nos próximos meses, vai chegar aqui próximo das eleições.”
A missão diplomática americana no Brasil está sem um titular desde janeiro do ano passado, quando a embaixadora Elizabeth Bagley deixou o cargo com a volta de Trump à Casa Branca. A chefia vem sendo conduzida interinamente pelo encarregado de negócios Gabriel Escobar.
A relação entre Brasil e EUA vive um de seus piores momentos na história, com parcos sinais de reaproximação.
Hoje, o United States Trade Representative publicou a conclusão de sua investigação sobre as práticas comerciais brasileiras e recomendou a imposição de tarifas de até 25% contra uma série de produtos.
Em uma nota, o embaixador Jamieson Greer, chefe do USTR, disse que ao longo do último ano o “Presidente Trump e eu tivemos diversas reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas,” mas “continuamos a ter divergências substanciais.”
Greer afirmou que manterá o diálogo com o Brasil até o prazo legal de 15 de julho antes que as medidas retaliatórias sejam aplicadas.
Segundo estimativas da XP, caso os impostos de importação sejam efetivados como proposto pelo USTR, a tarifa efetiva sobre as exportações brasileiras será aumentada em 6,25 pontos percentuais, indo a 18,5%. Serão atingidos aproximadamente 25% do total das vendas brasileiras para os EUA, que somaram US$ 37,7 bilhões em 2025.
O USTR excluiu do tarifaço itens como café, suco de laranja, carne bovina, terras raras, produtos farmacêuticos e peças de aeronaves.
Por se tratar de uma investigação formal dentro da Section 301 do Trade Act de 1974, Trump pode impor as novas tarifas de maneira unilateral – sem necessidade de consulta ao Congresso.
Em breve, sairá o relatório final de outro inquérito do USTR, também amparado na Section 301, este relacionado especificamente ao uso de trabalho forçado. O Brasil está entre os cerca de 60 países sub judice.
Na semana passada, o Governo brasileiro sofreu outra derrota diplomática nos EUA. Mesmo com a forte oposição de Lula, o Departamento de Estado decidiu classificar o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).
Em uma audiência hoje no Senado americano, Rubio disse que “temos neste hemisfério uma coalizão de países amigáveis” – mas listou o Brasil como uma das exceções.
“É uma história incrível que, com exceção de basicamente Nicarágua, de Cuba e, obviamente, da Venezuela, ainda enfrenta alguns desafios, e claro, o Brasil, embora esteja em meio a um ciclo eleitoral, e, em certa medida, o atual governo da Colômbia, é hoje uma região repleta de aliados dos EUA e líderes favoráveis aos EUA,” disse o secretário de Estado.











