A Ânima Educação acaba de anunciar que comprou o Centro Universitário FMU, pagando R$ 410 milhões por uma das principais universidades privadas de São Paulo e aumentando sua base de alunos em 15% e sua receita líquida em 11%.

A transação será paga em duas parcelas. A Ânima está pagando R$ 240 milhões de imediato e os R$ 170 milhões restantes em 31 de dezembro de 2029 ou três anos após o fechamento da operação – o que acontecer primeiro.

A FMU pertencia ao fundo Camp Nou, gerido pela Farallon Capital – que, curiosamente, havia adquirido o negócio da própria Ânima em 2020 por R$ 500 milhões.

Paula Harraca ok

Quando adquiriu os ativos da Laureate no Brasil por R$ 4,4 bilhões, a Ânima decidiu vender a FMU (que fazia parte do portfólio adquirido) para acelerar a aprovação da transação pelo CADE, já que o timing era um fator crucial para a Laureate na transação. 

De lá para cá, a FMU enfrentou dificuldades financeiras, viu seu market share no presencial de São Paulo cair de 9% para 6%, e teve que passar por uma recuperação judicial – cujo plano foi homologado em fevereiro deste ano pelos credores.

“Nos últimos anos, a FMU acabou ficando muito focada na bilheteria e não no palco. Isso afetou muito seus resultados,” o CFO da Ânima, Átila Simões, disse ao Brazil Journal.

“Mas com os passivos reestruturados, achamos que agora ela está pronta para voltar a crescer. Eles têm uma equipe muito boa, de alto nível, e uma marca com uma reputação muito forte. São 58 anos de tradição, com cursos muito fortes em direito e saúde.”

A FMU tem 6 campi em São Paulo, 214 polos de EAD, e uma base de 51 mil alunos. Na cidade, ela é a quinta maior universidade em volume de alunos no presencial, atrás de faculdades como a UNIP, Uninove e Anhembi Morumbi.

Nos últimos 12 meses, a FMU faturou cerca de R$ 280 milhões, com um EBITDA de R$ 52 milhões, e uma margem ao redor de 20%.

A Ânima acredita que ao entrar em seu ecossistema, a FMU conseguirá recuperar rapidamente o market share que perdeu nos últimos anos, além de dobrar sua margem, convergindo para a margem operacional da companhia, que é de 42%. 

“Nossas instituições rodam com uma margem entre 34% e 47%. No nosso negócio a escala é muito importante: só de compartilhar as estruturas e custos, a FMU já deve ter um ganho de margem importante,” a CEO da Ânima, Paula Harraca, disse ao Brazil Journal.

A executiva disse ainda que a FMU deve agregar capacidades importantes que a Ânima não tem, sendo que a principal delas é o know how da operação digital e semi presencial, onde a FMU tem 24 mil e 4 mil alunos, respectivamente. 

Com o novo marco regulatório da educação a distância, aprovado em meados do ano passado, cursos de saúde, engenharia e pedagogia – que antes podiam ser dados 100% online – terão que migrar para o semi-presencial.

“Isso vai gerar uma transformação estrutural do setor. É um cenário desafiador e por isso o timing dessa transação é muito importante, porque é importante estar preparado para sair na frente,” disse Paula.

Segundo ela, a FMU ajuda nessa frente por já ter uma expertise grande em EAD e semi-presencial, crescendo acima do mercado nos últimos anos, e por ter uma infraestrutura pronta (com campis grandes e laboratórios) para receber os cursos que terão que migrar para o semi-presencial.

A aquisição da FMU deve aumentar a alavancagem da Ânima de 2,39x EBITDA no fechamento do primeiro trimestre para cerca de 2,73x. Mas, segundo o CFO, a companhia deve retomar rapidamente sua trajetória de desalavancagem conforme a geração de caixa e o EBITDA aumente. 

A Ânima vale R$ 1,17 bilhão na Bolsa, com sua ação caindo 22% nos últimos 12 meses. 

No final do primeiro tri, a companhia tinha uma posição de caixa de R$ 1,8 bilhão.