A ação da Ambev disparou mais de 16% depois da fabricante de bebidas reportar um primeiro tri que superou as expectativas do mercado em diversas métricas – com destaque para a operação de cerveja no Brasil.
É o terceiro trimestre consecutivo que a companhia entrega resultados acima das projeções do sellside, o que pode levar a revisões nos modelos dos analistas.
A Ambev reportou um EBITDA de R$ 7,6 bilhões, uma alta de 10% ano contra ano e cerca de 5% acima do consenso Bloomberg. O número superou as projeções do BTG em 7%, e as do Bradesco em 9%.

A margem EBITDA cravou 33,9%, 100 basis points acima do mesmo período do ano passado. No BTG, o analista Thiago Duarte notou que essa margem foi a maior da Ambev para um primeiro tri desde 2019.
“A geração de caixa também foi forte para um primeiro trimestre, e temos a impressão de que a Ambev pode acelerar sua remuneração aos acionistas (dividendos + recompras) para acima de 100% do lucro este ano,” escreveu o analista.
O lucro líquido também veio acima do esperado, atingindo R$ 3,83 bilhões e batendo o mercado por uma diferença de 5,5%.
O grande destaque do tri foi o resultado do negócio de cerveja no Brasil, que superou as expectativas tanto em volume quanto em preço.
Os volumes cresceram 1,2% ano contra ano, enquanto o mercado esperava uma queda entre 2% e 4%. Já os preços subiram 8%, com as marcas premium expandindo 20% e as marcas core caindo low single-digits – em linha com o mercado.
O BTG disse que a vertical de cerveja no Brasil foi onde a Ambev “realmente se destacou” e que isso “prepara o terreno para um 2026 mais forte em termos de volume, com uma base comparativa mais fácil e um impulso do calendário à frente.”
O crescimento de volume da Ambev surpreendeu dada a dinâmica do mercado. A Heineken reportou recentemente que teve uma queda de volume no primeiro tri no Brasil, enquanto dados da Nielsen também mostraram uma queda de volumes no período. Em outras palavras, a Ambev teve ganhos de market share.
Um CEO do setor de bebidas disse ao Brazil Journal que o resultado de hoje mostra que a Ambev é uma empresa “com uma habilidade enorme de interpretar o que está acontecendo no mercado e de reagir a isso.”
“A Ambev teve a capacidade de reconhecer um momento difícil – já que por anos a Heineken vinha crescendo acima dela – e de criar um plano adequado para reagir a isso,” disse ele. “Ela também reagiu muito bem a uma gestão promocional mal feita da Heineken no final do ano passado.”
Segundo este executivo, a Heineken estava dando muitos descontos em sua marca principal no fim de 2025 – aproximando o preço das cervejas mainstream.
“Para defender o posicionamento premium eles tiveram que aumentar o preço no início deste ano, e quando eles fizeram isso a Ambev fez um reposicionamento muito inteligente, baixando o preço da Spaten e subindo o da Corona e Stella sem glúten,” disse ele.
Para ele, isso só foi possível porque a Ambev tem um portfólio muito maior e mais completo. “É um jogo diferente. A Ambev consegue fazer uma gestão de portfólio muito mais racional e voltada para a geração de resultados. E a Heineken não está conseguindo responder a isso.”
Duarte, do BTG, foi na mesma direção. Para ele, a execução, aliada a um portfólio mais robusto de produtos premium construído ao longo dos anos, “está finalmente permitindo que a Ambev enfrente a concorrência.”
Ele notou ainda que a combinação de crescimento de volume com aumento de preços que a Ambev entregou no trimestre “foi a mais forte em anos.”
No Santander, o analista Guilherme Palhares disse que o resultado pode marcar um “ponto de inflexão” para uma perspectiva mais construtiva sobre a Ambev, já que o resto do ano tem Copa do Mundo, um calendário de feriados mais favorável e uma provável desaceleração da inflação de custos.
Depois da alta de hoje, a Ambev vale R$ 262 bilhões na Bolsa. O papel sobe 19,5% nos últimos doze meses e agora negocia a cerca de 14x o lucro estimado para este ano.











