Esqueça as Magnificent Seven.
A maior oportunidade do mercado neste momento não são as sete grandes empresas de tecnologia, e sim as ‘Munificent Seven’ – as sete “magnânimas” – que são sete das principais petroleiras do mundo.
A tese é de Jeff Currie, o veterano estrategista de commodities que ficou mais de duas décadas na Goldman Sachs e é considerado um guru na análise do setor de energia.
Hoje conselheiro do Carlyle e co-executive chairman da Abaxx Markets, Currie disse à Bloomberg que o setor de óleo e gás neste momento é “o maior trade assimétrico” dos últimos tempos.
Em sua contas, as petroleiras estão entregando um free cash flow yield de 15,5%, enquanto as hyperscalers – as grandes companhias de data centers para inteligência artificial – oferecem um retorno virtualmente nulo nessa métrica.
“Vou repetir: 15,5% contra zero,” afirmou.
A sua análise de que existe um desequilíbrio expressivo entre oferta e demanda no mercado de energia precede o conflito no Oriente Médio – mas agora o estrategista se mostra ainda mais convicto de seu call.
De acordo com Currie, os estoques de petróleo estão sendo queimados em um período do ano quando o consumo é historicamente mais fraco. Ele prevê que a elevação do consumo em um contexto de oferta reprimida provocará uma alta na inflação.
Apostar nas Munificent Seven é, segundo o estrategista, uma maneira de proteger capital e ganhar dinheiro com o cenário que se avizinha. As sete empresas desse grupo são ExxonMobil, Chevron, ConocoPhillips, Shell, Total Energies, BP e Equinor.
“A estratégia, considerando apenas o aspecto econômico, é simplesmente investir nessas companhias,” disse o ex-Goldman.
O Brent já subiu 80% no ano, mas para Currie não vai parar por aí. Segundo o estrategista, o mercado ainda precifica a crise do Irã como um choque transitório, ao passo que o atual desequilíbrio é estrutural e não será passageiro.
“Com esse evento geopolítico tudo se acelerou. Mas tenho falado repetidamente sobre a vingança da ‘velha economia’ – essa rotação da tecnologia para ativos tangíveis. Isso já estava em andamento e agora o processo apenas se acelerou.”
Currie afirmou que o salto no PPI (a inflação do atacado americano) já reflete o choque causado pela guerra no Oriente Médio. O índice divulgado na semana passada mostrou uma variação anual de 6% em abril, bem acima dos 4,3% dos doze meses encerrados em março.
Para o estrategista, no entanto, o mercado acionário e de commodities não precificou o que ele chama de “maior choque de oferta que o mundo já viu” – o dobro do visto nos anos 1970.
Em sua opinião, os preços de petróleo e derivados vão disparar quando os estoques começarem a se aproximar do fim.
“Quando os estoques se esgotam, boom! Você precisa reduzir a demanda para se adequar à oferta,” disse Currie. “É aí que a escassez acontece – e os preços se tornam não lineares.”
Em uma outra entrevista anterior, à CNBC, Currie afirmou que o Irã vai se aproveitar da situação para “infligir dor.”
“O tempo está a favor deles,” disse o trader. “A situação se agrava a cada dia e parece não haver noção do que ainda está por vir.”
Currie estimou que deverá haver uma rotação de ações de tecnologia para as de commodities.
“Temos US$ 780 bilhões em capex das hypersclaers e metade disso para commodities,” afirmou. “Elétrons não surgem do nada. Os elétrons precisam de moléculas. Se você tem déficit em moléculas, você terá déficit de elétrons. Pense no que é a computação de AI. É uma combinação de dados e commodities.”
Em ambas as entrevistas, Currie detalhou os comentários que havia feito dias antes em um post no X.
“O capital tem se concentrado no mercado de AI, ignorando os ativos físicos necessários para o funcionamento da IA – ativos que que, sem alarde, se tornaram a classe de ativos com melhor desempenho da década,” escreveu.
Com relação ao mercado de petróleo, ele afirmou que os investimentos em capacidade de refino são os menores em uma década e o capex em upstream de óleo e gás caíram 35% desde o pico de 2015.
Para Currie, a história mostra que o capex só vai reagir após um overshoot dos preços.
O estrategista lembrou que a alocação de ativos é um jogo de soma zero. Os investidores precisam reduzir a exposição a uma estratégia para investir em outra.
Hoje, os papéis de tecnologia da informação representam aproximadamente 43% do S&P 500, enquanto as empresas de energia e materiais representam 6%.
De acordo com Currie, um re-rating dos atuais 43% de tech para um percentual ‘neutro’ de 25% seria uma rotação de 18 pontos percentuais em um índice cujo valuation chega a US$ 66 trilhões – ou algo como US$ 10 trilhões.
“O dinheiro não desaparece. Ele rotaciona,” escreveu. “Existe apenas uma classe de ativos do outro lado dessa transação grande o suficiente para absorvê-lo – uma que está privada de capital há quinze anos.”
Para Currie, estamos assistindo em tempo real à vingança da ‘velha economia’ – e um superciclo de commodities já havia se iniciado bem antes do bloqueio do Estreito de Ormuz.






