A Aena arrematou a concessão do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, em um leilão com intensa concorrência na tarde desta segunda-feira.
O grupo espanhol, que já administra Congonhas e outros terminais no Brasil, ofereceu R$ 2,9 bilhões pelo ativo – um ágio de 210,8% frente ao preço mínimo definido pelo Governo – vencendo a Vinci Compass e a Changi (os atuais operadores do Galeão), e a suíça Zurich Airport em uma disputa eletrizante.
O ar na sede da B3 ficou tenso conforme avançava a sessão de lances em viva-voz, que teve mais de 20 rodadas.
Vinci e Changi, que eram vistas como favoritas por já operarem o Galeão, fizeram uma oferta inicial praticamente sem ágio, 0,13% acima do mínimo, e seguiram na briga somente nas primeiras rodadas, até o valor de outorga atingir R$ 1,88 bilhão.
Já Aena e Zurich surpreenderam pelo apetite na licitação desde o começo. Ambas fizeram ofertas – idênticas – de R$ 1,5 bilhão já na primeira fase do leilão, um ágio inicial de 60,8%.
Nos lances viva-voz, após a desistência de Vinci e Changi, as duas companhias europeias protagonizaram uma longa disputa.
Enquanto a Aena mostrava maior agressividade nas ofertas, a Zurich testava o bolso – e a paciência – da rival. A cada rodada, os suíços faziam uma proposta com valor de outorga apenas um centavo acima da apresentada anteriormente.
A proposta final da Aena foi de R$ 2,9 bilhões, enquanto a Zurich parou nos R$ 2,8 bilhões – e um centavo.
“O Brasil é uma estratégia para a Aena. Essa é a terceira licitação que ganhamos, e com isso passamos a administrar o segundo e terceiro maiores aeroportos do Brasil em número de passageiros. Passamos a gerir 62 milhões de passageiros,” disse o diretor-geral da Aena Internacional, Emilio Rotondo. “Estamos muito felizes e contentes. E esperamos estar por muitíssimos anos aqui no Brasil.”
A Aena faz a gestão de 46 aeroportos e dois heliportos na Espanha e detém 51% do Londres-Luton, além de 12 terminais no México e dois na Jamaica. No Brasil, opera 17 aeroportos.
Além dos R$ 2,9 bilhões oferecidos no leilão, que serão pagos à vista, a Aena deverá pagar à União 20% do faturamento anual bruto da concessão até 2039.
A companhia será a única controladora do aeroporto internacional no Rio de Janeiro, com a Infraero deixando de ter participação acionária no empreendimento.
O resultado do leilão “superou as expectativas de todos os cálculos,” disse o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Tiago Faierstein, ao final do certame.
Ele disse ainda que a Anac está “terminando os trâmites” para leiloar em breve o aeroporto de Brasília e que há discussões para relicitar também Viracopos, em Campinas.
O Ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, projetou que a concessão de Brasília pode ser colocada em leilão “ainda este ano, quem sabe em novembro.”
Em discurso após o leilão, o ministro disse que ainda devem ser realizadas no segundo semestre mais concessões de aeroportos regionais.
A martelada ao final do certame marcou também a despedida do ministro, que está deixando o cargo para disputar as eleições deste ano. Ele deve concorrer a uma cadeira na Câmara.
A licitação do Galeão foi realizada após uma repactuação do atual contrato de concessão, num processo conduzido pela Secex Consenso do Tribunal de Contas da União.
A participação de Aena e Zurich no leilão já era esperada, mas havia uma expectativa em parte do mercado de que Vinci e Changi poderiam sair na frente por já terem conhecimento detalhado das operações do terminal.











