Bento Albuquerque: “Vejo a Faria Lima interessada” em energia nuclear

20 de jul, 2026

Neste episódio do POWER, Adriano Pires conversa com Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia, sobre a volta da energia nuclear ao centro da agenda global — e o papel que ela pode ter na diversificação do sistema elétrico brasileiro.

Bento lembra que o País reagiu ao choque do petróleo dos anos 70 diversificando sua matriz. Agora, diz ele, o mundo passa novamente por um momento delicado. “Vivemos dois choques energéticos nos últimos cinco anos, que estão transformando a geopolítica energética mundial,” diz. 

Antes de comandar o MME, Bento dirigiu o Programa Nuclear da Marinha e o Programa de Desenvolvimento do Submarino Nuclear Brasileiro. Por isso, quando chegou ao ministério, foi chamado de “ministro nuclear.” Mas sua defesa nunca foi de uma fonte isolada. “Não tem bala de prata.”

Para Bento e Adriano, mesmo com domínio tecnológico, o País falha nas duas pontas: a exploração em Santa Quitéria (CE) e o término das obras de Angra 3.  Segundo o ex-ministro, a reserva cearense possui urânio “suficiente para abastecer seis usinas nucleares por 100 anos”.

O custo da indefinição é alto. Bento afirma que Angra 3 custa cerca de R$ 1 bilhão por ano enquanto não avança. Desde 2021, diz ele, a usina já teria ficado R$ 5 bilhões mais cara. “É falta de vontade política.”

Após abordar a revolução dos pequenos reatores, a entrevista termina com uma discussão sobre como retomar o programa nuclear brasileiro. Para Bento, energia exige continuidade, planejamento e visão de longo prazo. Ele vê sinais positivos no Congresso e no setor privado. “Vejo a Faria Lima interessada em participar desse business,” diz.

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