O lucro do Santander caiu para R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre, uma retração de 7,3% frente ao quarto tri e de 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado. 

O resultado também ficou abaixo do consenso de mercado, que era de R$ 4,1 bilhões para o trimestre. O ROE recuou para 16%, frente aos 17,6% do quarto tri. 

O CEO Mario Leão atribuiu a queda a uma alíquota maior de imposto, de 15%, ante os 2,6% de outubro a dezembro.

O lucro antes de impostos aumentou 5,4% no tri a tri, para R$ 4,6 bilhões – “que é o que mostra a evolução saudável da franquia”, afirmou o CEO. Na comparação anual, porém, houve retração de 3,5%, pior que as estimativas de consenso.

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“Estamos satisfeitos com a maneira como o banco está construindo seu portfólio,” disse Mario. “Temos segurança de que o ROE voltará a crescer ao longo do ano.”

Mas a visão de analistas e investidores é diferente – o que faz a ação cair quase 2% por volta do meio-dia. 

Segundo um analista, a baixa só não é maior porque o banco já vinha sinalizando que teria resultados fracos. Além disso, a ação já underperformou os pares em cerca de 20% este ano. 

“A combinação de um top line fraco e a provável necessidade de maiores provisões à frente — especialmente vindas de grandes empresas — nos leva a acreditar que será difícil melhorar o bottom line em relação aos níveis do primeiro trimestre,” escreveu Eduardo Rosman, analista de financials do BTG Pactual. 

“Se isso se confirmar, tanto nós quanto o consenso provavelmente teremos de reduzir as estimativas para o ano.”

O banco vem crescendo menos, o que teve impacto nas receitas, e o lucro caiu apesar de o Santander ter feito provisões consideradas baixas, dado o cenário macro complicado. 

Na comparação trimestral, a carteira de crédito recuou 0,4% e a margem com clientes diminuiu 1,4%. No ano, houve expansão de 3,4% na carteira de crédito e de 4,8% na margem com clientes.

A inadimplência acima de 90 dias aumentou para 3,4% – ante 3,1% no quarto tri e 2,8% no mesmo período de 2025.

As provisões aumentaram 3,9% no trimestre, menos que a NPL formation (o surgimento de novos empréstimos com problemas), que cresceu 7,6%. Com isso, as provisões passaram a responder por apenas 95% da formation no trimestre. 

“Os NPLs subiram ligeiramente, enquanto as provisões vieram abaixo do esperado e abaixo da formação de novos NPLs — uma tendência que acreditamos ser difícil de sustentar, dado o deterioramento da qualidade dos ativos,” disse Rosman. 

Mario não tem uma “preocupação estrutural” com a inadimplência, mas disse que alguns portfólios demandam atenção, como os de pequenas empresas, agro e alguns segmentos dentro da operação de cartões. 

Para o executivo, as provisões devem acompanhar o crescimento da carteira de crédito, sem apresentar uma “alta material”. 

O CEO acredita que a operação deve continuar crescendo, respeitando a estratégia de reduzir a exposição a segmentos que o banco não consegue rentabilizar, como alguns segmentos da baixa renda. 

“Temos segurança de que o ROE voltará a aumentar a longo do ano,” disse ele. “A meta de superar ROE de 20% continua e é totalmente factível para 2028. Mas trabalhamos para entregar isso antes de 2028.”

Mario fica no cargo até julho, quando será substituído por Gilson Finkelsztain, atual presidente da B3. 

Fazendo um balanço de seus cinco anos como CEO, Leão disse que o lucro do Santander neste ano será maior que o de 2021 – “podem cobrar” –, mas o ROE ainda não. Em 2021 o Santander lucrou R$ 16,3 bilhões e teve um ROE de 21%.  

Os pontos positivos do resultado do primeiro trimestre de 2026 foram a melhora na margem com o mercado – as perdas diminuíram de R$ 1,5 bilhão, no quarto tri, para R$ 771 milhões de janeiro a março – e o controle de custos.

As despesas gerais ficaram estáveis tri a tri e cresceram 0,9% na comparação anual. 

Excluindo os gastos com depreciação e amortização – relacionados principalmente a investimentos em tecnologia –, as despesas caíram 0,7% no trimestre e 0,3% no ano.