Graeme James – o diretor de arte da The Economist que por mais de três décadas transformou grandes eventos geopolíticos em capas icônicas – morreu aos 65 anos depois de uma luta contra um câncer.
O designer deixa 2.500 capas que ajudam a explicar por que o semanário inglês se tornou indispensável para empresários e CEOs.
“Dizem que nunca se deve julgar um livro pela capa, mas a The Economist se define pela imagem que projeta para o mundo. Nos últimos 30 anos, Graeme James cuidou disso,” os colegas de redação escreveram sobre ele.
Bacharel em design gráfico pela Maidstone College of Art, em Kent, Graeme foi designer de capas da editora Pan Macmillan antes de entrar para a The Economist em 1995.
Ali encontrou uma revista centenária e tradicional, mas que já experimentava em suas capas à medida que a tecnologia avançava no fim do século passado.
Sempre armado de um lápis, Graeme não se furtava a soltar uns palavrões e se tornou uma grande ponte entre ilustradores e editores – dando “vida às palavras e argumentos” dos repórteres.
Essa descrição, dada a Graeme por seus colegas de trabalho, ilustra o que o artista conseguia fazer semanalmente nas capas da The Economist, que nem sempre têm os temas mais apetitosos.
Ah, a economia do Brasil está decolando? Vamos transformar o Cristo Redentor em um foguete. Literalmente.
Alguns de seus designs eram tão certeiros que políticos ligavam para The Economist queixando-se de como foram retratados – e a revista passou a ser cobrada por suas previsões econômicas equivocadas.
Talvez o brasileiro não se lembrasse tanto da famosa capa de 2009 se o Cristo não estivesse voando. Ou um erro de previsão sobre a Bolsa americana não seria tão notado se não houvesse um touro amarrado em balões na capa da revista.
Sem as artes, com certeza a revista teria chegado a menos gente.
“Se um artigo não saísse como planejado, viria o próximo. Graeme tinha que acertar sempre,” disseram os colegas sobre a mentalidade do designer.
Sua capa favorita era a do primeiro aniversário dos ataques de 11 de setembro, com dois retângulos pretos finos se estendendo em silhueta contra um pôr do sol.











