Depois de passar o verão em uma tour de golfe com os amigos – dos campos de sua cidade natal Akron, em Ohio, a Castle Stuart – LeBron James está de volta às quadras de basquete.

Daqui a menos de um mês, “The King”, como é conhecido, iniciará sua 24ª temporada na NBA – e a primeira pelos Philadelphia 76ers, o time com o qual assinou em julho.  

Aos 41 anos e com um hobby de atleta aposentado, era de se pensar que LeBron já tivesse diminuído o ritmo, ainda mais tratando-se de um multicampeão bilionário, dono de negócios nos ramos de esporte, mídia e consumo.

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Mas sua assustadora longevidade, uma mistura de aptidão física única e ética de trabalho singular, ainda lhe permite ser um dos melhores jogadores da NBA – e perseguir o fantasma de Michael Jordan uma última vez

Desde antes de estrear na NBA, em 2003, LeBron é tido como The Chosen One, ou o jogador “escolhido” para superar Jordan, o craque hexacampeão pelos Chicago Bulls nos anos 90. 

Na internet e nas tertúlias esportivas adoram discutir quem é o goat, ou greatest of all time, dos esportes. No mundo do basquete, um LeBron versus Jordan está no nível de um Pelé versus Messi.

LeBron abraçou as comparações e se aproximou do ídolo como pôde: desde usar a mesma camisa, a 23, até fazer sua própria versão do filme Space Jam. 

Dentro das quadras, naturalmente, escreveu sua própria história, mas sempre pareceu apegado à ideia de superar Jordan. 

Mais de 20 anos depois, e apesar de LeBron ter se sagrado tetracampeão da NBA, tricampeão olímpico, o maior pontuador da história do basquete e longevo o suficiente para jogar profissionalmente com o próprio filho, as comparações com Jordan continuam, com a maioria dos fãs ainda coroando o craque dos anos 90 como o melhor de sempre.

Os haters argumentam que LeBron treme em momentos decisivos e perdeu muitas finais da NBA – disputou 10 e só ganhou quatro, enquanto Jordan foi a seis e venceu todas.

“The King” parecia ter aceitado que seu legado esportivo estava escrito e caminhava para uma aposentadoria com bastante barulho midiático e resultados esportivos medianos nos Lakers. 

Mas no ano passado, quando os outros dois melhores jogadores dos Lakers (Luka Doncic e Austin Reaves) se lesionaram, LeBron levou a equipe ao top 8 da NBA – provando a si mesmo que ainda tinha lenha para queimar. 

Decidiu, então, que tentaria encerrar sua carreira conquistando mais um título, como Jordan fez em 98 e transformou na premiada série The Last Dance, lançada pela Netflix em 2020.

A produção documental, que relata a conquista do título da NBA de 1998 e a consequente aposentadoria de Jordan, foi um sucesso estrondoso e apresentou seu case de maior jogador de todos os tempos para uma geração que não o viu jogar ao vivo. 

Agora LeBron tentará fazer o mesmo. Segundo o New York Times, o jogador e a ESPN estão perto de um acordo de produção. 

Quando discutia uma eventual Last Dance com produtoras no passado, LeBron indicava gostar da possibilidade de encerrar a carreira acabando com a seca de títulos de um time, como fez com Cleveland em 2016.

Seu empresário, Rich Paul, disse que o atleta estava decidido a ir aos Knicks, que não venciam a NBA há mais de 50 anos, mas o time conseguiu encerrar a maldição este ano.

Quando a relação de LeBron com os Lakers esfriou de vez em julho, o jogador tomou seu tempo e a solução apareceu a 45 minutos de helicóptero de NY: os Philadelphia 76ers, uma tradicional equipe que não vence a NBA desde 1983 e acaba de montar um timaço.

Num mundo perfeito, LeBron liberaria Philly de uma seca de mais de 40 anos e se tornaria o primeiro jogador da NBA a vencer a competição por quatro times diferentes: Miami Heat, Cleveland Cavaliers, Lakers e Sixers.

LeBron enxergou essa oportunidade e recusou propostas dos Cavaliers (onde nasceu), dos Heat e dos Golden State Warriors, onde jogaria com o também lendário Stephen Curry.

A união entre LeBron e 76ers já seria incrível se o time da Filadélfia tivesse mantido o elenco do ano passado: Joel Embiid, que, se saudável, é o melhor pivô da NBA; Tyrese Maxey, um ala-armador veloz e atirador de elite em franca ascensão na liga; e VJ Edcombe, um jovem atlético, sufocante na defesa e escorregadio no ataque.

Mas, dias antes de fechar com LeBron, o time da Filadélfia também adquiriu Jaylen Brown, um jogador de 29 anos que venceu a NBA de 2024 com os Boston Celtics e foi escolhido o melhor jogador das finais contra os Dallas Mavericks. 

No ano passado, Jaylen fez quase 29 pontos por jogo, a quarta média mais alta da liga. Um jogadoraço, que foi trocado por Boston porque seu contrato era gordo demais.

Somando Brown, Embiid, Maxey, Edgecombe e outros, os Sixers montaram um time de craques que precisa de coesão e liderança – exatamente o que o LeBron de hoje entrega. 

Mesmo ainda sendo um dos melhores, LeBron também aceitou zerar sua pedida salarial, indo de um dos atletas mais bem pagos da liga, com contratos acima de US$ 50 milhões por ano nos Lakers, para o salário mínimo da NBA, de US$ 4 milhões por ano.

Alguns comentaristas criticaram LeBron por aceitar receber menos para se juntar a outros bons jogadores; outros caracterizaram a decisão como ring chasing, de quem “persegue títulos a qualquer custo”. 

Kevin Durant, outro craque experiente da NBA, defendeu LeBron e disse que todos os jogadores da liga buscam troféus, dinheiro ou tempo de quadra.

A verdade é que LeBron sempre será criticado por sua própria geração e pelas anteriores por não ser Jordan, mas não deve estar preocupado nem com o seu salário nos 76ers nem com se vender para pessoas que efetivamente o viram jogar.

Remunerado pela ESPN, LeBron terá uma última dança para convencer os torcedores das novas gerações de que merece ser eternizado como o melhor jogador de basquete da história. Ou morrerá faturando.