BOSTON – Depois de 144 anos, a ExxonMobil deixou New Jersey e está indo para o Texas.
A petroleira tem sua sede física no estado da estrela solitária desde 1989, mas seus acionistas acabam de aprovar a mudança do endereço legal.
O management justificou o movimento como uma “consolidação” das operações da Exxon, mas a verdade é que o Texas nunca esteve tão pró-negócios – ainda mais comparado a outros estados.
Há uma enxurrada de empresas se relocando para o estado.
A região de Dallas-Fort Worth foi a que mais recebeu relocações de empresas entre 2018 e 2025 – foram 111 – enquanto Austin atraiu 88 e Houston, outras 31, segundo um levantamento da CBRE. Juntas, as três áreas se tornaram um dos maiores destinos de relocações corporativas do país.

No mesmo período, a Califórnia deixou de ser sede de oito empresas da Fortune 500: Chevron, Tesla, McKesson, Oracle, Charles Schwab, HP, Palantir e SpaceX.
O Texas também se prepara para receber a Samsung, que planeja transferir sua sede americana de New Jersey para lá ainda neste ano, segundo a agência de notícias coreana Yonhap.
A novidade é ainda mais surpreendente porque ocorre só um ano depois da Samsung ter transferido sua sede americana de um município de New Jersey para outro.
A justificativa da gigante de eletrônicos é similar à da Exxon: aumentar a “sinergia” entre seus negócios nos EUA, consolidando operações.
Quem já “consolidou” no estado foi Elon Musk, talvez o maior entusiasta do momento texano e pioneiro no movimento atual.
Primeiro ele levou a Tesla para lá em 2021. Em 2024 foi a vez do X e da SpaceX.
Musk justificou a medida citando o custo de vida, segurança e razões políticas. Disse que as leis da Califórnia estão “atacando tanto as famílias quanto as empresas” e expressou preocupação com a segurança em São Francisco.
Ao falar de “segurança”, Musk não se referia apenas à proteção física de seus negócios, mas também à jurídica.
Para além dos históricos impostos baixos, o Texas assumiu nos últimos anos uma série de medidas pro-business que trouxeram maior previsibilidade em fazer negócio por lá – o que está afastando as empresas dos estados democratas, cujos políticos cada vez mais veem na taxação de grandes fortunas e empresas uma saída para problemas de arrecadação.

Em 2023, o legislativo do Texas aprovou a criação da Texas Business Court, um tribunal especializado em causas comerciais que entrou em operação em setembro de 2024 e exige que seus juízes tenham ao menos dez anos de experiência em direito empresarial.
Já no ano passado, o Texas reformou significativamente o Texas Business Organizations Code através dos projetos SB29 e SB1057. O objetivo: criar um ambiente jurídico que ofereça maior previsibilidade para as empresas.
O SB 29 codifica a business judgment rule, oferecendo a diretores e executivos uma presunção de boa-fé. Os acionistas passam a ter o ônus de provar condutas irregulares com especificidade para superar essa presunção.
Já o SB 1057 introduz novas restrições às propostas de acionistas. Empresas texanas listadas em bolsas nacionais passarão a exigir que acionistas cumpram critérios mais rígidos antes de submeter propostas, incluindo participação mínima de 3% ou US$ 1 milhão em ações, mantidas por pelo menos seis meses, além de apoio de 67% dos demais acionistas com direito a voto.
Ao comentar sobre as mudanças pró-negócios do Texas, o Governador Greg Abbott disse que elas “oferecem aos tomadores de decisão empresariais a certeza de que decisões de negócios tomadas no melhor interesse dos acionistas não serão questionadas pelos tribunais. As decisões empresariais devem ser tomadas por executivos eleitos e acionistas, não por juízes não eleitos.”
O direcionamento pró-negócios do Texas já começou a fazer efeito em estados democratas. A região da Baía de São Francisco acumulou uma perda de 163 sedes corporativas entre 2018 e 2025, motivadas por impostos elevados, regulações trabalhistas e pressão do custo de vida.
Outro local que vem sendo fortemente afetado é Delaware (controlado por democratas desde 1993), por décadas considerado o melhor estado dos EUA para se abrir um negócio.
Delaware ainda é a sede fiscal de ao menos 60% das empresas da Fortune 500, mas a crescente insatisfação com o ambiente jurídico do estado impulsionou o interesse das empresas por uma mudança de domicílio fiscal.
Quem está tomando o rumo de deixar Delaware rumo ao Texas é a Coinbase, a corretora de criptomoedas.
Em artigo publicado no Wall Street Journal, o vp jurídico da empresa, Paul Grewal, escreveu que o Texas se tornou “um polo cada vez mais atraente para empresas inovadoras como a nossa” e lamentou que “tenha chegado a esse ponto, mas Delaware nos deixou poucas opções.”











