A Renner reportou um resultado do quarto tri em linha com o esperado pelo mercado, com ganhos de eficiência impactando diretamente o EBITDA e o bottom line

A receita líquida da companhia (que contempla varejo e os serviços financeiros) teve uma alta de 4,7% ano contra ano para R$ 4,8 bilhões no tri, em linha com o consenso.

No acumulado de 12 meses, a receita líquida chegou a R$ 15,8 bilhões, crescendo 9,2% em relação a 2024. 

Ao mesmo tempo, o EBITDA e o lucro líquido avançaram de maneira mais acelerada que o top line.

O EBITDA subiu 9% no ano para R$ 1,1 bilhão, enquanto a margem EBITDA cresceu 1,1 ponto para 25,6%, batendo o consenso em 5%. 

No ano, o EBITDA total chegou a R$ 3,2 bilhões, alta de 20% ante 2024.  

“Esse resultado positivo vem do nosso modelo, dos investimentos que fizemos nos últimos anos e ganhos de eficiência no modelo, que nos trazem mais assertividade de coleção e melhor gestão de estoque,” o CEO Fabio Faccio disse ao Brazil Journal.

Fabio Faccio

Segundo o CEO, enquanto a receita cresceu 4%, as despesas da companhia aumentaram apenas 2%. 

Entre os motivos para isso está a maturação do mega centro de distribuição da empresa em Cabreúva, São Paulo, e do modelo de execução de moda end-to-end – do qual Cabreúva é o pilar central.

O CD – um investimento logístico de R$ 1,8 bilhão da Renner ao longo de anos – começou a operar em 2023, estabilizou em meados de 2024, e segundo a empresa começou a gerar ganhos de produtividade no ano passado.

O investimento permite à Renner distribuir “peça a peça, loja a loja” (em vez dos packs de 12 peças com tamanhos P, M, G que despachava antes), e a um custo menor. Com o tempo, o algoritmo da empresa vai aprendendo qual produto performa melhor em qual local, refinando o modelo de predição e aumentando a assertividade das coleções e a gestão de estoques, resultando em vendas a preço cheio. 

Segundo o CFO Daniel Martins, isto aconteceu no último tri, quando a empresa conseguiu reduzir promoções e vender mais a preço cheio.

Danniela Eiger, que cobre o setor na XP, disse que o resultado chamou a atenção porque a Renner aumentou a venda por metro quadrado mais que os concorrentes, e teve a melhor margem bruta do setor no trimestre e no ano.

A margem bruta de varejo subiu 0,7 ponto para 56,5%. Já a venda por metro quadrado ficou 45% acima dos concorrentes diretos. 

O bottom line subiu 13% para R$ 552,6 milhões. O mercado esperava R$ 580 milhões, mas o CEO disse que o miss foi causado por ajustes contábeis.

O quarto tri foi particularmente difícil para o setor de vestuário: temperaturas mais amenas em outubro impactaram as vendas das principais varejistas.

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A C&A, por exemplo, registrou um same-store sales negativo de 0,3%. A Renner, por sua vez, cresceu 3,3%. 

Faccio disse que as vendas de Black Friday e Natal compensaram o início de trimestre mais fraco.

Já a Realize, o braço financeiro da Renner, cresceu 11,6%, com a receita chegando a R$ 495,4 milhões. 

Mas a Realize também mostrou um aumento de 18,7% nas perdas de crédito; o CFO explicou que o número reflete o impacto contábil referente à Resolução 4.966, que altera as regras contábeis para instituições financeiras.

“Em base comparável, as perdas da carteira na verdade caíram 2,3%,” disse Martins.

Faccio disse estar confiante para cumprir as projeções para o ciclo 2026-2030 apresentadas no Investor Day no fim do ano.

Entre as metas está a abertura de até 60 lojas da Renner e da Youcom, além de expansão da margem com a diminuição de SG&A e geração de fluxo de caixa com maior retorno sobre o capital investido.

No total, a empresa espera entregar um CAGR de vendas líquidas entre 9 e 13% no período. 

“Já fizemos alguns desses indicadores em 2025, então os números são muito factíveis. Estamos preparados para entregar isso,” disse o CEO. 

A Renner negocia a 9x o lucro projetado para este ano, ante uma média de 10x do setor. 

A ação da Renner sobe 31% nos últimos doze meses. A empresa vale R$ 15 bi na Bolsa.