Convencer as equipes a adotar AI foi um dos maiores desafios do Magazine Luiza e da CI&T com a nova tecnologia, disseram Frederico Trajano, CEO do Magalu, e Vinicius Martinelli, o vp da empresa de tecnologia.

“Cheguei a dizer: não vou substituir um ser humano por AI, vou trocar alguém que não usa AI por uma pessoa que sabe usar,” disse Fred Trajano durante um evento da consultoria Galeazzi. 

“A primeira coisa que precisa mudar é o mindset: algumas pessoas têm vergonha de dizer que usaram AI para fazer uma apresentação, mas é esperado que usem.”

Frederico Trajano

Há cerca de três anos, a CI&T montou uma plataforma própria de desenvolvimento com AI, e imaginou que a adoção seria imediata – mas ninguém usava, disse Martinelli. Foi preciso montar um programa estruturado para incentivar o uso, disse Martinelli.

“Foi preciso quebrar a resistência de quem achava que fazia tudo melhor que a AI e também aquele medo de perder o emprego,” afirmou o executivo. 

Hoje, segundo ele, a adoção está disseminada com ganhos de produtividade especialmente no setor de desenvolvimento de softwares.

No Magalu, essa área, que hoje tem cerca de 2 mil engenheiros, “não vai crescer por um bom tempo”. “Se bem implementada, a AI aumenta a produtividade. No nosso caso, a pressão por contratações diminuiu.”

Os dois destacaram, porém, os riscos do workslop, aquela entrega gerada por AI que parece um bom trabalho mas é superficial e insuficiente para fazer uma tarefa avançar – por exemplo, uma apresentação extensa cheia de conclusões genéricas e dados fora de contexto. 

“Sabemos até pela cor que foi feita por AI, e muitas vezes quem está apresentando nem viu direito os números,” diz Martinelli.

Para Fred, quando a produção de informação é barata, “o julgamento é caro.” O valor hoje, afirmou, está em julgar como e onde investir, e medir os resultados. “Precisamos treinar as equipes para exercitar esse julgamento e não terceirizar cegamente para as tecnologias.”

Na visão do vp da CI&T, o momento de fazer pilotos e provas de conceito passou. “Isso já está em grande parte validado”. O que vai fazer diferença, disse ele, é a capacidade de absorver as inovações trazidas pela AI com velocidade, escolhendo áreas e processos em que a tecnologia pode fazer diferença material nos resultados.