A QXO, uma das maiores atacadistas de materiais de construção dos Estados Unidos, acaba de adquirir a TopBuild por US$ 17 bilhões – no mais recente movimento em sua estratégia de consolidar um mercado extremamente fragmentado.
A transação, que será paga parte em dinheiro parte em ações, cria o segundo maior player listado do setor, encostando na Builders FirstSource, a líder, que é mais verticalizada e fatura ao redor de US$ 20 bilhões.
Depois da fusão, a QXO terá uma receita combinada de US$ 18 bilhões e um EBITDA de US$ 2 bilhões.
A TopBuild é listada na Bolsa de Nova York. A oferta da QXO, de US$ 505 por ação, é um prêmio de 23% em relação ao fechamento de sexta-feira.
A transação tem sinergias claras. Enquanto a QXO é líder na venda de produtos para telhados, impermeabilização e madeiras, a TopBuild é muito forte em isolamento térmico.
Nos últimos 11 meses, o CEO da QXO, Brad Jacobs transformou a QXO aplicando uma estratégia de roll-up típica de firmas private equity. Antes da transação de hoje, foram dois outros M&As totalizando mais de US$ 13 bilhões. A QXO comprou a Beacon em 2025 por US$ 11 bilhões, e a Kodiak por US$ 2,25 bilhões no início deste ano.
“A TopBuild será nossa aquisição mais significativa até agora, tornando a QXO a segunda maior distribuidora de materiais de construção de capital aberto da América do Norte,” disse o CEO.
A QXO é o mais recente empreendimento de Jacobs, um empreendedor serial que fundou a United Waste Systems (hoje parte de Waste Management) no setor de coleta de lixo; a United Rentals, no setor de aluguel de equipamentos; e a XPO, de logística.
Em todos os negócios, Jacobs também apostou numa estratégia agressiva de aquisições para ganhar mercado, repetindo um playbook que tem funcionado: apostar em mercados grandes, fragmentados e pouco eficientes, onde ele pode melhorar a execução e extrair mais rentabilidade.
A QXO foi fundada em 2023 e seguiu essa premissa. Na época do anúncio da criação da empresa, Jacobs notou que o setor de distribuição de materiais de construção movimenta US$ 800 bilhões por ano nos EUA e Europa.
Numa entrevista à Bloomberg Radio, ele detalhou o que seriam os diferenciais da empresa.
“Vamos criar uma empresa muito grande e aproveitar todas as vantagens de escala e tamanho que vêm com isso,” disse ele. “Em segundo lugar, vamos aplicar tecnologia – especialmente AI – para precificação dinâmica, para gerenciar melhor os armazéns, para torná-los mais automatizados, para fazer a otimização de rotas dos caminhões de entrega, e para as interações com o cliente.”
Para fundar a QXO, Jacobs levantou recursos com a Affinity Partners, a gestora de private equity de Jared Kushner, o genro de Donald Trump. No início deste ano, a empresa levantou outra rodada de US$ 3,75 bilhões com a Apollo e o Temasek, o fundo soberano de Singapura.
A QXO vale US$ 17,1 bilhões na NYSE. A ação sobe 86% nos últimos 12 meses mas cai 5% hoje, com o mercado reagindo ao anúncio da transação.











