Após uma intensa agenda de leilões de rodovias nos últimos anos, 2026 deverá marcar a retomada das licitações de ferrovias. 

Pelo menos essa é a expectativa do Governo e da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT), que participa da estruturação dos projetos e conduz os processos competitivos. 

“Acredito que vamos conseguir fazer este ano a Estrada de Ferro 118 e também o chamamento público da Minas-Rio. Os dois terão interessados, e tudo indica que novos entrantes também,” Guilherme Theo Sampaio, o diretor-geral da ANTT, disse ao Brazil Journal

Segundo ele, a EF-118, um projeto que combina implementação de novos trilhos (greenfield) e trechos preexistentes para conectar o Porto do Açu (RJ) a Santa Leopoldina (ES), com capex de R$ 6,6 bilhões, está atraindo “um perfil mais de construtoras.”

Já o corredor Minas-Rio deve atrair “usuários que já estão na malha” e têm interesse em transportar sua carga, como mineradores e players do agronegócio, por exemplo. 

O Minas-Rio prevê reativação de dois trechos inoperantes concessionados à VLI e sua conexão a um ramal ativo para ligar o centro logístico Porto Seco Sul, em Varginha (MG), ao Porto de Angra dos Reis (RJ).

Entre estrangeiros que analisam os projetos, além de chineses, há mexicanos, que eventualmente poderiam se consorciar com grupos locais, segundo Sampaio.

O Grupo México, uma das maiores empresas de infraestrutura da América Latina, disse nesta semana que avalia o setor de ferrovias no Brasil e está estudando a aquisição de participação em um ativo.

No mercado, porém, há algum ceticismo – uma fonte de importante player de infraestrutura disse avaliar que o “grande trunfo – e talvez o único” do Governo para os leilões ferroviários será atrair gigantes chinesas.

Para Sampaio, esse receio é natural, dado a complexidade dos projetos. “Tem um alto capital investido, é praticamente cinco vezes mais caro um quilômetro de ferrovias que um km de rodovias. Mas vai dar certo, vai caminhar, sim.” 

“Nós vamos somar 26 concessões de rodovias (realizadas nos últimos quatro anos), mais duas de ferrovias, vai dar 28. É praticamente um leilão a cada dois meses. Isso é muita coisa.”

Diretor da ANTT desde 2021, Sampaio assumiu a diretoria-geral no ano passado e tem mandato até 2030. Como seguirá no cargo seja qual for o resultado das eleições, ele já trabalha de olho em 2027.

“Para o ano que vem, vamos ter endereçados pelo menos quatro a cinco leilões de rodovias no primeiro semestre. Mais pelo menos dois, três leilões de ferrovias já engatilhados. Como é uma agenda de Estado, ela continua.”

A projeção é de que o País chegue ao final de 2026 com 25 mil quilômetros em rodovias concedidas, o que representa um terço da malha pública federal sob gestão da iniciativa privada.

“Quando eu entrei na agência, em 2021, nós tínhamos 12 mil quilômetros. É o maior programa (de concessões) do mundo, tirando o chinês, que não se compara,” disse Sampaio. “O País vai ver, sem sombra de dúvidas, nos próximos dez anos, o maior ciclo de investimentos privados da história.”