O Mubadala e a Trafigura estão avançando em um processo para a venda do Porto Sudeste, em Itaguaí – um projeto idealizado pelo empresário Eike Batista que saiu do papel pela mão das duas empresas e agora está atraindo interesse de grandes investidores institucionais estrangeiros, além da Vale e da Gerdau.
O terminal, na Baía de Sepetiba, tem o minério de ferro como carro-chefe e deve fazer mais de US$ 300 milhões de EBITDA este ano. Uma fonte que acompanha o processo disse ao Brazil Journal que a transação deve envolver uma ordem de grandeza de US$ 5 bilhões. A Bloomberg já havia reportado as negociações com exclusividade na terça-feira.
A entrega das propostas vinculantes acontece ainda este mês.
Concebido a princípio para escoar a produção das minas da MMX, o porto tem ligação com Minas Gerais por meio da chamada Ferrovia do Aço. A capacidade total permite movimentar até 50 milhões de toneladas por ano em granéis sólidos e líquidos, embora a operação esteja rodando com cerca de metade disso.
Os possíveis compradores estão divididos em dois grupos. A Global Infrastructure Partners (GIP), controlada pela BlackRock, se associou à Vale e a Gerdau para analisar a oportunidade, enquanto a empresa de investimentos americana Stonepeak está com a companhia australiana de commodities M Resources.
A movimentação dos interessados evidencia o apetite por ativos de infraestrutura no Brasil, com players estrangeiros querendo consolidar sua presença local e produtoras de commodities buscando garantir alternativas para escoar sua produção.
Além do transporte de minério de ferro, o Porto Sudeste está recebendo investimentos para ampliar sua capacidade operacional para o setor de petróleo e gás.
A GIP, que lidera um dos grupos avaliando o negócio, foi comprada pela BlackRock em 2024. No ano seguinte, ampliou a presença no Brasil com as aquisições de participação na Aligned, que opera data centers nos Estados Unidos e América Latina, e na Aliança, a geradora renovável na qual virou sócia da Vale.
A GIP também tem negócios em energia renovável no País por meio da Atlas Renewable, que tem uma carteira de usinas eólicas e solares na América Latina.
Já a Stonepeak, um grupo americano focado em infraestrutura e ativos reais com US$ 88 bilhões sob gestão, anunciou em janeiro a compra de 25% da participação da CMA CGM no Tecon Santos, uma transação que envolveu um total de 10 terminais portuários pelo mundo e foi fechada por US$ 2,4 bilhões.
O Porto Sudeste, um projeto originalmente concebido por Eike, ficou com o Mubadala Capital após a quebra do empresário em uma operação de troca de dívida por participação.
A Trafigura se juntou ao projeto para alavancar os investimentos que permitiram a inauguração em 2015.
Após uma década de operações, investimentos e esforços para aumentar a ocupação do terminal, as companhias decidiram em um movimento conjunto colocar o ativo à venda ainda em 2025.
Goldman Sachs, UBS e Bradesco BBI estão assessorando o Mubadala e a Trafigura.











