O investimento em infraestrutura está em um patamar recorde – mas não se pode mais dizer o mesmo do humor entre os agentes do setor. O otimismo caiu de máximas históricas para o menor nível nos últimos quatro anos.

A perspectiva para os próximos seis meses foi apontada como “favorável” por 37,8% dos respondentes em uma pesquisa da Associação Brasileira da Infraestrutura e das Indústria de Base (Abdib) em parceria com a EY-Parthenon – bem abaixo dos 54,2% registrados no segundo semestre de 2025. 

Os resultados do chamado “Barômetro” da Abdib, divulgados hoje, foram afetados por principalmente três fatores: a proximidade das eleições presidenciais, a guerra no Oriente Médio e as tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, Gustavo Gusmão, o responsável pelo estudo na EY-Parthenon, disse ao Brazil Journal

“Esses próximos meses serão um pouco contaminados pelo período eleitoral, então novos leilões e novos projetos talvez fiquem um pouco represados. E os dados podem estar projetando uma aposta em quem vai vencer e como isso se reflete na agenda de infra.”

Embora prevaleça a expectativa de que os níveis de capex no setor não terão uma ruptura seja quem for o próximo Presidente, existe uma visão de que estes poderiam “aumentar ainda mais” caso a oposição leve a disputa pelo Planalto, disse Gusmão, citando os dados do levantamento.

“Quando colocado um cenário de mudança na gestão do Governo Federal, há um otimismo maior.”

Também chamou a atenção o indicador que mostra a propensão dos empresários a contratar, que passou a apontar uma maior cautela, ao contrário de edições anteriores.

Nas projeções para os diversos segmentos da infraestrutura, o saneamento básico voltou a aparecer como o que deve ter maior expansão dos investimentos nos próximos três anos (citado por 50,4%), seguido pelas rodovias (45,7%), repetindo os resultados da pesquisa do segundo semestre de 2025.

As ferrovias aparecem como o grande destaque do próximo triênio por 40,6% dos respondentes, passando a energia elétrica e assumindo o terceiro lugar nas expectativas de crescimento do capex.

“Comparado com a inércia nos últimos 15, 20 anos, pela primeira vez vemos um conjunto de iniciativas integradas para estimular novos investimentos privados no setor,” disse Gusmão, citando os esforços do Governo para renovar concessões e agendar leilões.

Já a energia elétrica ficou na quarta posição, caindo novamente no ranking, após ter ocupado o segundo lugar nas citações entre 2022 e 2024. 

A pesquisa da Abdib foi realizada com mais de 200 gestores de empresas de infra, além de investidores e especialistas que apoiam a estruturação de projetos.