A AOL – a outrora gloriosa provedora de internet discada e e-mail – está de volta à Bolsa, juntamente com outras empresas digitais icônicas (e capengas), como a WeTransfer e a Vimeo.

As marcas fazem parte do portfólio da Bending Spoons, uma holding italiana especializada em turnarounds de negócios de internet que acaba de precificar seu IPO na Nasdaq.

A empresa e alguns de seus investidores venderam 57,97 milhões de ações a US$ 29 cada, acima da faixa esperada de US$ 26 a US$ 28, levantando US$ 1,68 bilhão e alcançando um valor de mercado de cerca de US$ 18,4 bilhões. 

Com isso a Bending Spoons alcançou um múltiplo de 7 vezes receita, acima de gigantes como a Meta – e agora precisará provar ao mercado que vale tudo isso.

Fundada em 2013 em Milão, a Bending Spoons tem como estratégia adquirir empresas de software fragilizadas que oferecem serviços por assinatura. 

Depois de assumir os negócios, a empresa costuma reduzir o headcount das adquiridas e entregar as operações a programadores para que possam modernizá-las.

A ideia é levar “negócios estabelecidos de volta ao modo startup,” a Bending Spoons escreveu em um prospecto ao qual a Barron’s teve acesso.

O nome da empresa, uma referência ao filme Matrix, dá o tom sobre a “mágica” que o management está tentando realizar.

Hoje o portfólio da Bending Spoons conta com plataformas como o WeTransfer (transferência de arquivos), Vimeo (compartilhamento de vídeos), Eventbrite (site de ingressos) e Evernote (organizador de tarefas).

A AOL – que estreou na Bolsa em 1992, fez o infame M&A de US$ 100 bilhões com a Time Warner em 2001 e depois foi vendida na xepa à Verizon – foi comprada pelos italianos em janeiro deste ano. O ativo estava no portfólio da Apollo Global.

Os valores da transação não foram divulgados, mas o Wall Street Journal reportou que a Apollo avaliava a AOL, que ainda opera seu serviço de e-mail e vende softwares de segurança, em pelo menos US$ 1,5 bilhão. 

E é aí que mora o problema da Bending Spoons. 

A empresa tem se alavancado para financiar esta e outras aquisições de marcas icônicas, e hoje tem US$ 4,4 bilhões em dívidas de longo prazo, segundo a Barron’s.

Além disso, o negócio ainda não parece ser muito lucrativo.

A empresa vendeu US$ 2,6 bilhões no ano passado, mas teve um lucro de apenas US$ 22,4 milhões. Já no primeiro tri deste ano, gerou US$ 601 mi em receitas e fez um lucro de US$ 27,5 milhões. 

Haja magia. 

As plataformas da Bending Spoons têm 500 milhões de usuários ativos mensalmente e 9 milhões de assinantes.