A EPR arrematou a concessão da Régis Bittencourt, entre São Paulo e Paraná, em leilão realizado hoje na sede da B3, superando propostas da Motiva e da Arteris, atual operadora, ao ofertar um deságio de 22,5% nas tarifas de pedágio.

A Motiva, que era vista por boa parte do mercado como a favorita, fez um lance com desconto de 12,10%, enquanto a Arteris, da espanhola Abertis e da Brookfield, ofereceu 0,01%.

A via em disputa, um trecho de 383 km da BR-116, é considerada por analistas um ativo premium devido às altas margens. 

Mas sua operação também trará alguns desafios para o novo concessionário, diante do elevado nível de paralisações do tráfego no passado recente. 

“A Régis ficou 52 dias do ano passado fechada, se somadas as interrupções. Então é nossa campeã de problemas,” George Santoro, ministro dos Transportes, disse ao Brazil Journal antes do leilão, que segundo ele deve melhorar o desempenho da estrada.

O capex estimado da concessão, que inclui obrigações de duplicação de 69km em pistas e outras otimizações, é de R$ 7,1 bilhões, com opex de R$ 4,1 bilhões, ao longo dos 15 anos de contrato. O vencedor ainda deverá pagar R$ 120 milhões à atual operadora Arteris.

Para analistas do BTG, a Régis está entre as concessões mais interessantes para os investidores entre as licitadas pelo Governo nos últimos dois anos, devido à sua localização estratégica, conectando o agronegócio ao Porto de Paranaguá (PR), segundo maior do Brasil, e pelas altas margens e tráfego.

O número de veículos que passam pela estrada tem sido crescente desde 2022, com avanço anual de 8% em 2024 e 4% em 2025. E a margem EBITDA ficou sempre acima de 70% nesse período, atingindo 77,5% nos últimos dois anos. 

A título de comparação, a margem EBITDA consolidada da Motiva em rodovias foi de 60% em 2024 e 72,3% em 2025, comparou o BTG. 

A concessão vai ser passada aos novos operadores com uma dívida líquida que encerrou o primeiro trimestre em R$ 1,6 bilhão, e uma alavancagem de 2,8x, que tem diminuído gradualmente desde os 5,2x de 2021.

A vitória da EPR, comemorada aos gritos pela equipe da companhia no salão da B3, é a oitava da joint venture entre Equipav e Perfin nos leilões desde 2022, ampliando uma carteira de projetos que já somava R$ 50 bilhões em investimentos programados.

Para a Motiva, o resultado tem um gosto amargo, uma vez que a Régis poderia consolidar o grupo na liderança em rodovias – sua carteira totaliza 5,04 mil km contra 5,06 mil km da rival EcoRodovias.

Pelo lado positivo, o mercado deve ver com bons olhos a disciplina financeira da companhia, diante de riscos de uma guerra de lances e deságios altos demais que destruísse valor. 

Antes do leilão, a equipe do BTG disse que a Régis era o ativo mais atraente para a Motiva no curto prazo, mas acrescentando que “o mercado vai acompanhar de perto a competição e a disciplina no bid.” 

O leilão foi realizado após a repactuação do contrato, em acordo mediado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).